Já reparou que tendemos a gostar de sinais de expressão e símbolos que remetem à inteligência de alguma maneira? Óculos, por exemplo, são vistos como um acessório charmoso por muita gente, e, não se pode negar, aquela mordidinha nos lábios, que quase todo mundo faz ou já fez em momentos de grande concentração, é também vista como um gesto irresistível muitas vezes.

O Today I Found Out falou a respeito dessas famosas mordidinhas há algum tempo e nós, curiosos que somos, quisemos logo descobrir: por que é que fazemos esse gesto com a boca quando estamos concentrados ou querendo nos lembrar de alguma coisa?

Parece que a mãe da mordidinha na boca é a língua de fora, que fazíamos mais quando éramos crianças. Mas por que será? Bem... Isso tem a ver com o fato de que nosso cérebro trabalha muito, muito mesmo, para manter as nossas “atividades linguais”, digamos assim. Enquanto você coloca a língua de fora ou morde a boca, seu cérebro recebe sinais do que está acontecendo, afinal sua língua não está parada, mas também não está sendo usada para que você coma ou beba alguma coisa. Por causa disso, seu cérebro fica mais atento, em alerta e você, por consequência, consegue pensar melhor.

Teorias e mais teorias

Quem nunca?

A coisa toda, obviamente, não para por aí, e a explicação acima é apenas uma das possíveis para essa questão. Até pouco tempo atrás, a Ciência acreditava que nossas habilidades cognitivas eram controladas por regiões cerebrais diferentes, mas muita coisa já mudou nesse sentido, graças às novas pesquisas realizadas.

Um estudo publicado em 2010, por exemplo, mostrou que o cérebro humano consegue comandar funções motoras e cognitivas separadamente e enquanto usa partes diferentes do nosso órgão pensante. Também já sabemos que a região cerebral usada para aprender novas palavras é a mesma utilizada para que essas palavras sejam ditas – ainda que estejamos falando de palavras, as funções (aprender e falar) são diferentes.

Indo ainda mais além na descoberta de como nossa massa cinzenta funciona, um estudo de 2015 revelou que alguns tipos de concentração não verbal nos fazem morder a língua e boca, enquanto outros, não. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão depois de analisar as reações físicas de uma série de crianças de 4 anos de idade. A surpresa foi que a atividade que mais fez com que os pequenos ficassem com a língua de fora foi uma de agilidade, e não de concentração.

Tudo conectado

<3

A conclusão afirmou também que há uma grande ligação entre os movimentos da língua e das mãos e que ela é feita por meio dos centros de linguagem do nosso cérebro. Basicamente, isso quer dizer que, enquanto estamos concentrados especialmente em tarefas que requerem o uso de habilidades motoras, comunicativas e de aprendizado, nossa língua tende a ficar em movimento, mesmo que dentro da boca, sem que percebamos.

Se precisamos de ainda mais concentração, para que o cérebro não se ocupe tanto, colocamos fim nessa dança da língua, de forma totalmente inconsciente, por meio da mordida. Outra curiosidade: isso é uma tendência mais comum na infância, e as razões para isso podem incluir desde nossas maiores habilidades cognitivas e motoras durante a vida adulta até o fato de que colocar a língua para fora é menos socialmente aceitável na vida adulta.

Talvez justamente para não ficarmos com a língua de fora, transferimos a mordida para a própria boca. O que precisamos ter em mente é que, com relação ao funcionamento do cérebro humano, as respostas estão sempre sendo montadas, com a ajuda de pesquisas antigas e novas, afinal estamos falando de um órgão que pensa, aprende e sente emoções – para tudo isso, nem mesmo a Ciência tem respostas.

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