A mente humana é realmente complexa, e aprender sobre algumas facetas de seu funcionamento é uma das coisas mais encantadoras que podemos fazer. A melhor parte disso tudo é que você não precisa ser neurocientista, psiquiatra ou psicólogo para desvendar alguns segredos menos profundos e científicos – às vezes, ter curiosidade já é mais do que suficiente.

Aqui, em um site inteiramente dedicado a pessoas realmente curiosas, falamos frequentemente sobre comportamento e psicologia. Hoje, voltaremos ao assunto graças à sugestão do leitor Claudio Rossi Rezende, que nos pediu para que falássemos a respeito da Síndrome da Despersonalização.

O que é?

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A Síndrome da Despersonalização é uma condição em que a pessoa tem a forte e persistente sensação de que tudo à sua volta não é real, o que pode incluir sua própria existência. Os pacientes sentem que suas vidas são como um filme e, em alguns casos, têm a sensação de que conseguem observar a si mesmos, como se houvesse um distanciamento para isso ser possível.

Essa sensação vai além do aspecto visual: a pessoa tem a sensação de que está observando também seus próprios processos mentais, assim como a evolução fisiológica do próprio corpo e do corpo das outras pessoas. O sentimento, além de estranho, é de que tudo parece irreal e sem foco.

Sintomas

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Entre as sensações físicas que a síndrome proporciona estão anestesia, sonolência, impressão de mente vazia, falta de concentração, perda de reatividade emocional, vontade de isolamento, apatia, obsessão por padrões de pensamento, sensibilidade extrema à luz e ao som, perda da noção de tempo, alteração da percepção de pessoas e objetos.

“É como se eu estivesse assistindo a um filme em que eu estou por minha conta, no centro de tudo, e nada mais é real. Falo com meus filhos, ouço a minha voz e parece realmente estranho. Isso faz você se sentir muito separado e solitário de tudo, como se você fosse a única pessoa que é real”, declarou ao New Scientist Louise Airey, que é portadora da síndrome.

Origem

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O processo de despersonalização pode ser também associado a fenômenos psiquiátricos de pânico, ansiedade e outros tipos de dissociação – é bastante comum que a pessoa comece a achar que está ficando “louca”. O uso e o abuso de substâncias psicoativas pode desencadear episódios da síndrome, que também pode ter origem genética.

Como ainda não se tem muitas informações a respeito da despersonalização, acredita-se que ela tenha ligação com crises de ansiedade e que seja uma espécie de resposta à ameaça. O problema é que essa resposta se torna uma questão repetitiva e que atrapalha, em diversos aspectos, a vida do portador.

Tratamento

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Entre as possíveis causas para a síndrome estão estresse extremo, experiências traumáticas, lesões na cabeça, luto e outros tipos de traumas psicológicos.

É fundamental que a pessoa que se identifique com esses sintomas procure ajuda psiquiátrica e psicológica, pois o tratamento é semelhante ao usado para casos de ansiedade. Possivelmente o uso de medicamento será recomendado, bem como algumas mudanças de hábitos: dormir bem, por exemplo, é essencial, e o uso de drogas (incluindo álcool e café) deve ser banido.

Entre as práticas que podem ajudar a aliviar os sintomas estão a meditação, a acupuntura, a prática de esportes e alguns ajustes na alimentação. De qualquer forma, mudanças precisam ser realizadas em prol de uma vida de qualidade.

*Publicado em 26/4/2016