O trabalho de Theresa Kachindamoto, que vive em um distrito do país africano de Malawi, tem ganhado repercussão em todo o mundo. O motivo? Em três anos ela conseguiu impedir que mais de 850 casamentos forçados fossem realizados.

Os casamentos em questão envolviam meninas que, crianças, foram encaminhadas ao lugar onde deveriam estar: na escola, não no altar. Além de conseguir impedir que essas crianças fossem forçadas a se casar, Theresa conseguiu evitar também a realização de rituais de iniciação sexual, que forçavam crianças a praticar sexo.

Tanto a tradição do casamento quanto a de iniciação sexual são marcas culturais do país, conhecido pelo baixo índice de Desenvolvimento Humano e também pelo fato de a maioria das meninas se casar antes dos 18 anos de idade – é bastante comum ver crianças grávidas.

Luta, força e resistência

Crianças na escola

Theresa trabalha na região há quase 30 anos e tem dedicado sua vida a mudar esse cenário. Em 2015, ela conseguiu instituir uma lei que proíbe o casamento de meninas com menos de 18 anos, mesmo que haja autorização dos pais ou responsáveis.

Os casamentos das meninas são geralmente feitos para que as famílias resolvam alguns problemas financeiros, e, como a região é bastante pobre, esse tipo de acordo acontecia com muita frequência. Abusos como esse só pioravam os índices de violência no país: lá, a cada cinco mulheres, uma é vítima de estupro, o que contribui com o aumento do número de casos de HIV também.

A luta de Theresa, que trouxe dignidade e segurança a tantas meninas, já fez com que ela recebesse diversos tipos de ameaças, especialmente de políticos e pessoas de poder que têm visões diferentes da sua. As ameaças não a impedem de continuar lutando por mais direitos, no entanto, e Theresa diz que seu objetivo é educar essas meninas, para que elas sejam o que quiserem, e não o que forem obrigadas a ser.