A história da professora de espanhol Tatiana Loureiro lembra um pouco a da personagem Amélie Poulain, que, em “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, devolve uma caixinha de brinquedos a seu dono algumas décadas depois de ele tê-la perdido. Você já parou para pensar no que sentiria caso recebesse um objeto que foi seu e que você não vê há mais de 20 anos?

No roteiro do filme da vida de Tatiana, tudo começou quando ela tinha apenas oito anos de idade e encontrou um livro didático de Espanhol em uma estação de trem. Graças ao livro perdido, que manteve consigo desde então, a garota se interessou em aprender o idioma, virou professora de espanhol e, inclusive, descobriu que tinha relações familiares com a Espanha.

Tatiana trabalha hoje como professora voluntária e dá aulas a um grupo de alunos da terceira idade. Em uma de suas aulas, ao contar que seu primeiro contato com o idioma havia sido através do livro que encontrou na estação de trem, a professora acabou lendo a inscrição que havia na primeira página do manual. Essa inscrição dizia que o livro pertencia a um homem chamado Carlos Henrique Augusto.

Coincidência

A inscrição presente no livro.

O nome chamou a atenção de uma das alunas, a funcionária pública Conceição Aparecida Ribeiro Borges, que disse conhecer o homem e ser capaz de encontrá-lo. A possibilidade de, finalmente, descobrir quem era o verdadeiro dono do livre deixou não apenas Tatiana, mas toda a turma empolgada. Dona Conceição cumpriu a missão e, tempos depois, Carlos Henrique foi encontrado.

“Eu levei um susto, porque eu jamais imaginava que ainda poderia existir alguma coisa de meu tempo de escola que tivesse alguma referência e que tivesse servido para alguma coisa”, disse Augusto, em declaração publicada no G1. Ele contou que não sabe como o livro foi parar na estação de trem.

Reencontro

Carlos Henrique Augusto e Tatiana, à direita na foto.

De qualquer forma, o reencontro com o livro e a descoberta de que sua perda acabou inspirando uma criança a escolher sua profissão foi uma grande surpresa a Augusto, que fez questão de fazer uma nova capa ao livro, que agora tem a palavra “inspiração” escrita nela. Apesar de ser o dono oficial do material, Augusto deixou o livro com Tatiana, que ainda o usa em suas aulas.

“Muitas vezes as nossas atitudes acabam influenciando as pessoas de forma direta e indireta”, disse Tatiana, ainda emocionada com a feliz coincidência e o encontro inusitado. Eis uma prova de que tudo – ou quase tudo – é mesmo possível.