Você já ouviu falar a respeito de uma fortaleza que existe em São Petersburgo, na Rússia, que se chama Forte Alexander? Na verdade, esse local é mais conhecido pelos russos — e pela galera que adora as histórias de lugares com passados macabros — como “Forte da Peste”, uma vez que ele chegou a ser usado como laboratório de pesquisas sobre a peste negra e outras doenças sinistras, como a cólera e o tétano.

Pestilências

De acordo com o pessoal do site Atlas Obscura, a fortaleza foi construída em meados do século 19 sobre uma ilha artificial criada a partir de areia e concreto no Golfo da Finlândia, situado no Mar Báltico, próximo a São Petersburgo. As obras levaram sete anos para serem concluídas e a ideia inicial era de que, uma vez instalada nesse ponto estratégico, a estrutura servisse de proteção contra possíveis invasões.

Yersinia pestisYersinia pestis (Wikimedia Commons/Domínio Público)

Entretanto, a fortaleza jamais foi palco de uma batalha sequer e, no finalzinho do século 19, ela acabou sendo convertida em um imenso laboratório para o estudo da Yersinia pestis, a bactéria causadora da peste negra. Os russos prepararam o forte para a realização de experimentos poucos anos depois de o agente responsável por provocar a devastadora doença ter sido identificado e a intenção era a de que os corajosos cientistas que foram enviados para lá conseguissem desenvolver uma vacina.

Para isso, segundo documentos dos pesquisadores que trabalharam no Forte Alexander, os testes eram realizados em animais como cavalos, primatas, porcos, coelhos e porquinhos-da-índia, que eram infectados com a bactéria para que, depois, amostras de sangue fossem coletadas para que, a partir dele, fossem produzidos medicamentos.

Perigo constante

No entanto, de acordo com Stephanie Papas, do site Live Science, não foram apenas os pobres bichinhos que acabaram infectados pela Yersinia pestis. Em 1904, Turchinovich-Vyzhnyevich, o médico-chefe do laboratório, acabou contraindo a peste negra e morrendo no local. Três anos mais tarde, em 1907, outro médico — um homem chamado Emanuel F. Schreiber — também adoeceu e chegou à conclusão de que ele tinha desenvolvido a peste pulmonar, uma das mais virulentas e graves formas da peste.

Forte AlexanderForte Alexander (Wikimedia Commons/Andrew Shiva)

Schreiber faleceu três dias após contrair a doença e seu corpo foi cremado na fortaleza para evitar que a bactéria se espalhasse. Dias depois de sua trágica morte, foi a vez de Lev Vladimirovich Podlevsky, outro médico do local, ser diagnosticado com a peste — só que, desta vez, a bubônica, caracterizada pelo surgimento de caroços nos linfonodos por causa da infecção. Mas Lev teve mais sorte que seu colega e sobreviveu graças ao uso de um dos fármacos que estavam sendo desenvolvidos no laboratório.

Interior do Forte da PesteInterior do Forte da Peste (Wikimedia Commons)

Segundo o Atlas Obscura, as atividades no laboratório foram finalizadas em 1917, e a fortaleza foi usada como depósito pela marinha russa até os anos 80. Abandonado, o lúgrube Forte da Peste se transformou em foco de exploradores urbanos e caçadores de fantasmas, e chegou a ser usado para a realização de festas e raves ilegais. Atualmente, não é preciso se aventurar nem correr perigo para visitar a fortaleza, já que ela se transformou em destino turístico e inclusive existe um barco que faz o transporte de visitantes. Faça um “tour” sobre a fortaleza através do vídeo a seguir: