Uma das notícias mais lidas nos grandes portais no dia de hoje é a da neta que se casou com um velho milionário sem saber que ele era seu avô. A história conta que o senhor, de 68 anos, já tinha se casado outras vezes, mas que nunca tinha dado certo em nenhum relacionamento duradouro.

Porém, depois que ele ganhou na loteria em um bolão na empresa em que trabalha, o idoso resolveu que era hora de procurar a sua alma gêmea verdadeira. Foi então que ele encontrou uma mulher de 24 anos, através de uma agência que proporciona encontros entre desconhecidos.

Papo vai, papo vem, o casamento é marcado e chega a surpresa: folheando álbuns de fotografias antigas, a mulher teria reconhecido o pai em uma das fotos. Segundo o senhor, era um filho do primeiro casamento, com quem ele perdeu contato após a ex-esposa sumir com as crianças. Como a mulher também não tinha relação alguma com o pai, que a teria abandonado quando ela ficou grávida, os dois pombinhos resolveram se casar mesmo assim.

"Como assim ele é meu avô?"

Será verdade?

A história tinha todos os ares de mentira: quem são esses dois? Como conseguiram manter o anonimato mesmo com tantos detalhes vazados? Qual é a fonte disso tudo? Como você já deve estar suspeitando desde o título, essa história não passa de mais um hoax – aqueles boatos que surgem e se espalham pela própria internet.

A pegadinha começou em um site supostamente jornalístico chamado Florida Sun Post. Porém, a jornalista Elena Cresci, colaboradora do The Guardian, foi atrás da veracidade dessa fonte e descobriu que a página da web tinha sido criada apenas 1 dia antes de a história bizarra ganhar o mundo.

Esse tipo de brincadeira viraliza por ser plausível e compartilhável: é muito fácil ler o título da matéria, julgar o seu conteúdo e dividir com seus amigos nas redes sociais. Desde que a internet surgiu, inúmeros são os casos de mentiras como essa que, de uma hora para outra, se tornam a notícia mais lida do dia – e praticamente nenhum portal está isento de cometer erros assim. Por isso, fica a dica: se a história for muito absurda, seja um pouquinho cético.

Série de tweets de Elaine Cresci mostra que verificar a autenticidade da história foi bem fácil: bastou conferir a data do registro do site e procurar por "jornais da Flórida" para ver que o Florida Sun Post não era citado em lugar nenhum