O cérebro humano é uma estrutura fantástica, ficando em constante atividade mesmo que nós nem tenhamos noção disso. Afinal, é ele quem comanda todas as funções do organismo, sejam elas voluntárias ou não. Um exemplo, de acordo com o site Science Daily, é que a nossa mente é capaz de corrigir os erros gramaticais cometidos pelas pessoas com as quais conversamos, processando e compensando essas informações sem que percebamos.

Pesquisas anteriores já haviam abordado essa “mania” cerebral, mas um interessante estudo realizado pela Universidade do Oregon, nos EUA, conseguiu reunir fortes evidências de que o nosso cérebro está constantemente corrigindo os erros de gramática e sintaxe dos nossos interlocutores.

Experimento

Fonte da imagem: shutterstock

O experimento envolveu apresentar 280 frases experimentais — algumas corretas e outras com erros simples e que normalmente passam despercebidos — a um grupo de voluntários. As palavras que compunham as sentenças eram apresentadas uma de cada vez, e um pequeno alarme era ativado sempre que um dos erros aparecia na frase, assim como algumas vezes durante a apresentação das sentenças corretas.

O alarme servia apenas para distrair, e os participantes tinham que responder o mais rápido possível se percebiam o som como baixo, médio ou alto. Além disso, eles precisavam decidir se as frases que haviam acabado de ler estavam corretas ou não, e os pesquisadores observaram que, quando o alarme soava depois que as palavras erradas apareciam, os participantes conseguiram identificar as falhas conscientemente em 89% dos casos.

Por outro lado, quando o alarme era ativado antes dos erros, eles foram detectados conscientemente 51% das vezes. Enquanto os voluntários do estudo faziam tudo isso, exames de eletroencefalografia mostraram que os seus cérebros percebiam os erros e realizavam correções mentais para que as frases fizessem sentido, independente se o alarme soasse antes ou depois das palavras erradas.

Tradução

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Em outras palavras, os cérebros são capazes de realizar as correções de qualquer forma, mas, ao ouvir o som do alarme antes dos erros, os participantes se distraiam — e, por isso, só conseguiram identificar as falhas conscientemente na metade das vezes.

Segundo os pesquisadores, essa descoberta é especialmente interessante no que diz respeito ao ensino de idiomas, pois demonstra que é possível aprender a gramática de maneira implícita antes que um indivíduo receba educação formal. Entretanto, na prática ocorre o contrário, já que primeiro a gramática é apresentada para, depois, o vocabulário ser construído sobre esse conhecimento.

O estudo sugere que talvez a melhor forma de aprender um novo idioma seja o contrário do que é feito normalmente, deixando que o nosso cérebro absorva as regras gramaticais de forma implícita, sem que tenhamos que pensar demais a respeito delas.

*Publicado em 15/5/2013

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