De acordo com um artigo publicado pela Universidade de Harvard, nos EUA, ao contrário do que muita gente acredita aprender a tocar instrumentos musicais não contribui para que as crianças se tornem mais inteligentes. A crença de que a música pode influenciar no desenvolvimento da inteligência e no desempenho acadêmico surgiu graças a um estudo publicado na década de 90 que ficou conhecido como “Efeito Mozart”.

Na pesquisa, sobre a qual inclusive já comentamos aqui no Mega Curioso, os cientistas afirmam que, depois de serem expostos à música, os participantes do experimento se saíam melhor em testes relacionados com a percepção espacial. Algum tempo depois, apesar de o estudo ter sido questionado e até desmentido, a ideia se popularizou, tanto que 80% dos norte-americanos acredita que o Efeito Mozart realmente funciona.

Além disso, o estudo não só se tornou superconhecido como foi distorcido. Originalmente, o experimento envolveu estudantes universitários, mas as pessoas começaram a relacionar a suposta influência da música com bebês e crianças pequenas, apesar da falta de evidências científicas de que esse grupo de indivíduos pudesse se beneficiar de alguma forma.

Novos testes

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Desde a publicação da pesquisa sobre o Efeito Mozart, dezenas de estudos foram conduzidos para comprovar se a música realmente tem alguma influência sobre a inteligência, e Samuel Mehr, de Harvard, foi um dos pesquisadores que também pôs essa teoria à prova. Nos experimentos de Mehr, os voluntários participaram de testes específicos para avaliar quatro domínios específicos da cognição.

Em vez de avaliar o QI dos participantes, Mehr preparou testes específicos focados em aspectos como vocabulário e matemática, além de aplicar outros dois de percepção espacial. Segundo explicou, se o aprendizado de algum instrumento musical tivesse alguma influência sobre a inteligência de crianças, essas quatro avaliações seriam capazes de identificar essa característica.

Puro mito

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Os resultados apontaram que as crianças que faziam aulas para aprender a tocar instrumentos musicais não apresentavam qualquer melhora nos domínios cognitivos testados. Aliás, para não dizer que a diferença foi nula, em um dos testes de percepção espacial os participantes se saíram ligeiramente melhor, mas a divergência no desempenho foi bem pequena. Os testes ainda foram repetidos com uma amostragem maior, e a conclusão foi a mesma.

Portanto, parece que desta vez o mito sobre o Efeito Mozart foi mesmo esclarecido, e as crianças vão poder aprender música por puro e simples prazer, se livrando de serem obrigadas a aprender a tocar instrumentos só porque os pais ouviram falar que essa atividade pode torná-las mais inteligentes.