Mesmo as pessoas mais inteligentes vacilam de vez em quando e, por algum motivo, é um pouco decepcionante quando isso acontece. Por exemplo, presidentes de empresa que desviam milhões achando que ninguém vai descobrir. Ou certos presidentes de países que tiveram casos com estagiárias, achando, também, que ninguém nunca saberia.

A verdade é que mesmo uma grande inteligência não torna as pessoas perfeitas. Na verdade, as pessoas inteligentes parecem até mais propensas a falhas espetaculares, o que leva a um julgamento ainda maior pela sociedade do que as pessoas “comuns”. Mas, por quê?

Um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology forneceu problemas de lógica para as pessoas resolverem e descobriu que as inteligentes tendem a cometer mais erros do que aquelas de inteligência média. Segundo os pesquisadores, isso acontece porque as pessoas inteligentes são mais propensas a tomar decisões (certas ou erradas) devido ao excesso de confiança. Esse é o chamado viés do ponto cego.

É claro que o excesso de confiança não é o único caminho para uma decisão estúpida. Muitas das escolhas idiotas que você verá nesta lista foram motivadas por ganância, orgulho, stress e até mesmo pura preguiça. Vamos dar uma olhada em cinco momentos memoráveis de "que diabos você estava pensando?":

1 – Bill Clinton teve caso com estagiária e mentiu sob juramento

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Depois de dois mandatos no cargo mais poderoso dos Estados Unidos (e talvez do mundo), o presidente Bill Clinton começou a Fundação Clinton para resolver alguns dos problemas que afetam o mundo de hoje, desde a obesidade infantil até as mudanças climáticas e a saúde global. Então, como é que um cara tão dedicado e inteligente se tornou parte de um dos mais notórios escândalos sexuais presidenciais?

Em 1999, Bill Clinton enfrentou maus bocados e quase perdeu a presidência depois de vazarem detalhes de um caso com a estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky, de 21 anos de idade. Enquanto o caso em si já fosse algo muito burro (não escolha alguém que trabalhe para você, ainda mais se você é o presidente dos Estados Unidos), pior ainda foi que Clinton mentiu sobre o assunto sob juramento.

O caso veio à tona em 1998, quando a barra de Bill já não estava muito limpa, como parte de uma investigação de assédio sexual movida por Paula Jones contra ele. Paula era uma funcionária pública do estado de Arkansas e havia trabalhado com Clinton quando ele era governador, e as investigações sobre isso acabaram também revelando o caso da estagiária. Que mancada hein, seu Clinton?

People

Em janeiro de 1998, Clinton foi questionado sobre o assunto formalmente pelos advogados de Jones e mentiu, dizendo que o caso com Lewinsky nunca havia acontecido. Ele conseguiu enganar todos até agosto daquele ano, quando o famoso vestido azul de Moniquinha — manchado com sêmen “presidencial” — foi revelado. Depois, no depoimento da moça, ela contou mais detalhes dos encontros, sendo que um deles envolvia até um charuto.

Clinton disse mais tarde que o que aconteceu entre ele e Mônica havia sido apenas sexo oral, alegando que ele não tinha mentido quando disse que não teve relações sexuais. Se Clinton não tivesse mentido sob juramento sobre seu caso com Monica Lewinsky, ele não teria sido encaminhado para um caso de impeachment (do qual foi absolvido).

Porém, Clinton estava agindo por medo e stress de que a revelação pudesse prejudicar sua carreira política. E realmente prejudicou na época, mas seus outros atos futuros eficientes como presidente ajudaram a salvar a sua reputação. Na verdade, ele deixou o cargo com a classificação mais elevada de aprovação de qualquer presidente norte-americano do pós-guerra.

2 – Gary Hart desafia a mídia para segui-lo

Gary Hart era um político norte-americano casado, advogado, escritor e professor universitário, cuja arrogância o levou a fazer um movimento incrivelmente idiota: provocar a mídia. Ele se declarou mais esperto que os repórteres e desafiou a inteligência deles, enquanto mantinha um caso (que pensava ser secreto) com uma modelo chamada Donna Rice.

Hart era um famoso assessor de campanhas políticas e, em 1987, se tornou o favorito para nomeação presidencial democrata. Os jornalistas já suspeitavam de um caso entre Hart e Rice, mas, quando surgiram os rumores de que ele estava traindo a sua esposa, ele simplesmente usou de sua arrogância em vez de se esquivar das perguntas. Ele negou o caso e pediu que a mídia o seguisse aonde ele fosse para provar que ele não tinha nada com a modelo.

É claro que os repórteres fizeram exatamente isso e, no primeiro dia, eles já viram a modelo saindo da casa de Hart. Então, eles descobriram até que Hart tinha feito um cruzeiro romântico com Rice em um barco chamado "Monkey Business" — uma expressão bastante utilizada como “macaquice”. Macaquice ou burrice?

O fato é que os jornalistas conseguiram informações de uma amiga da modelo, chamada Lynn Armandt, que contou mais sobre o relacionamento de Hart e Rice. O escândalo abalou a candidatura presidencial de Hart e ele se retirou da corrida para a presidência em maio de 1988.

3 – Robert McCormick utilizou cartão da empresa para pagar strippers

Robert McCormick era CEO de uma empresa de tecnologia e internet chamada Savvis, mas essa posição não o impediu de fazer uma besteira colossal no departamento do bom senso. Certa noite, McCormick foi a um clube exclusivo de "cavalheiros" — chamado Scores — e gastou 241 mil dólares no cartão de crédito da empresa.

A casa de diversões adultas é conhecida por seus altos preços em serviços, como as famosas “danças no colo”, e garrafas de champanhe que custam milhares de dólares. No entanto, ao receber a conta do cartão dias depois, McCormick afirmou que aquele valor era uma fraude (aquele conhecido golpe do “eu não gastei tudo isso” após uma noite estilo Se Beber não Case).

McCormick contestou quase todas as cobranças da conta, dizendo à American Express que ele não havia gasto mais do que 20 mil dólares (o que também já é bastante). Robert se negou a pagar e, depois de 2 anos sem pagamento, ele foi incapaz de produzir qualquer documentação que realmente atestasse uma fraude na conta.

Com isso, a American Express processou McCormick e, então, ele, a empresa Savvis e a companhia de crédito finalmente resolveram o caso de forma confidencial e fora do tribunal, mas não antes de McCormick se demitir da empresa por causa do escândalo.

4 – Andrew Wakefield e a farsa sobre a vacina

Em 1998, o Dr. Andrew Wakefield, um cientista conceituado, publicou um artigo na prestigiosa revista médica The Lancet, dizendo que havia uma ligação entre autismo e a vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (a tríplice viral). O grande problema foi que Wakefield falsificou a maior parte dos dados desse documento.

Os repórteres investigativos e da comunidade médica descobriram que o artigo dele era uma fraude completa. Ele falsificou o histórico médico de seus pacientes e publicou os resultados de seu estudo fraudulento — tudo em nome do dinheiro.

O British Medical Journal descobriu que Wakefield havia recebido 674 mil dólares dos advogados que estavam esperando processar empresas de vacinas. A fim de obter os resultados que os advogados queriam, Wakefield falsificou seus dados de diferentes maneiras: ele escolheu alguns pacientes em seu estudo de 12 pessoas que já tinham sinais de autismo e mentiu sobre os outros dizendo que eles desenvolveram a doença após receber a vacina tríplice viral.

Em 2004, alguns de seus colegas pesquisadores descobriram o escritório de advocacia de apoio a pesquisa e retiraram seus nomes como coautores do estudo. O periódico médico The Lancet retratou o artigo em 2010 e Wakefield teve sua habilitação médica cassada.

O pior é que Wakefield e alguns de seus colegas cientistas continuam defendendo o estudo até hoje, dizendo que havia um esquema para encobrir a ligação entre vacinas e autismo, mas nenhum estudo foi capaz de atestar os resultados de Wakefield.

Essa falsificação causa efeitos na saúde pública até hoje. Alguns pais — temendo pela saúde de seus filhos — ainda estão optando por não os vacinar com a tríplice viral. Existe até um movimento contra as vacinas nos Estados Unidos. Mas essa queda nas taxas de vacinação causou um aumento nos casos de sarampo, uma doença perigosa na infância.

5 – Thomas Edison eletrocutou um elefante

Thomas Edison era um gênio por excelência, mas mesmo os mais espertos do mundo às vezes estragam as coisas. Por volta da virada do século passado, Edison pesquisou e desenvolveu a energia elétrica, especificamente a corrente contínua. Existem dois tipos de eletricidade que usamos hoje: a corrente alternada e a contínua.

Nos Estados Unidos (e no Brasil), a corrente alternada é o padrão, mas nem sempre foi assim. No início dos anos 1900, o debate entre as duas correntes era semelhante ao sistema de vídeo VHS ou Beta da década de 1980. Que tipo venceria? Os cientistas ficaram muito competitivos com esse assunto.

Edison estava ganhando muito dinheiro com suas patentes de corrente contínua, já que era o padrão norte-americano na época. Por isso, quando George Westinghouse e o inventor Nikola Tesla descobriram uma nova forma de eletricidade (a corrente alternada) — que passou a ser mais eficiente e menos cara — a situação de Edison ficou complicada e ele se sentiu ameaçado.

Em um esforço para desacreditar Westinghouse e Tesla sobre a corrente alternada, Edison fez o que qualquer cientista equilibrado não faria: ele eletrocutou um bando de animais para mostrar que a corrente alternada era mais perigosa do que a contínua. Como assim, Edison?!

Ele começou essas "experiências" de choque em pequenos animais, como cães e gatos, mas, quando descobriu que o Zoo Luna Park em Coney Island tinha um elefante chamado Topsy que eles estavam planejando aposentar, Edison aproveitou a chance para eletrocutá-lo. Ele, inclusive, gravou a crueldade, e você pode ver nas imagens abaixo, um tanto danificadas pelo tempo, mas com clareza suficiente para ver a situação.

Todas essas mortes cruéis de animais acabaram sendo em vão. Por causa de algumas complicações com a corrente contínua, os Estados Unidos adotaram a alternada como o padrão elétrico, apesar dos equivocados esforços de Edison.

*Publicado em 29/05/2014