Na Índia, os processos de demissão podem demorar um pouco a sair, podendo chegar a até 24 anos! Isso aconteceu recentemente com o caso de um funcionário do Departamento Central de Obras Públicas do país, que só agora foi considerado culpado de "ausência intencional do dever".

De acordo com um artigo da BBC, o engenheiro AK Verma saiu do expediente de trabalho em uma manhã em 1990, alegando estar doente, e simplesmente nunca mais voltou. "Ele passou a buscar a extensão da licença, mas não foi sancionada”, informou o departamento à imprensa na semana passada.

Verma começou a trabalhar no Departamento Central de Obras públicas em 1980 e subiu para o posto de coordenador executivo de engenharia em 1990, quando logo depois ocorreu o fato do abandono de emprego. O seu caso entrou em investigação em 1992, mas só em 2007 o processo formal de dispensa começou.

AK Verman

Além da demora para o início do processo, levou ainda mais de sete anos para o departamento realmente chegar a uma decisão de demiti-lo. Em última análise, o ministro do Desenvolvimento Urbano da Índia, M. Venkaiah Naidu, finalmente ordenou a demissão do até então funcionário, a fim de "racionalizar o funcionamento do departamento e garantir a prestação de contas".

Segundo a BBC, o caso de Verma não é isolado, pois a burocracia indiana é bastante conhecida por elevar os níveis de abstenção do trabalho. De acordo com o artigo, muitos dos funcionários públicos do país abusam bastante durante a jornada, chegando muito tarde, fazendo longos horários de almoço ou mesmo jogando golfe por horas no horário de trabalho.

Esse abuso provavelmente acontece porque as leis trabalhistas da Índia tornaram quase que impossível demitir funcionário por qualquer outra razão que não seja má conduta criminal.

No ano passado, outro caso de abandono de emprego em que a demissão também demorou 23 anos já chamou a atenção para essas ocorrências, sendo que alguns estados mudaram recentemente as leis para tornar mais fácil demitir os funcionários.

Agora, com esses dois casos e ações mais rigorosas, o medo de ser pego pela lei fez com que os níveis de frequência aumentassem entre os funcionários públicos e os campos de golfe estão bem mais vazios.