Que o Japão é um dos lugares mais surpreendentes do mundo você já sabe, sendo que por aqui nós já mostramos uma cantora sendo “engolida” por microfones, 100 garotas uniformizadas fazerem acrobacias e panquecas ao mesmo tempo e até mesmo um estranho estabelecimento que proporciona serviços de afagos para clientes carentes.

Mas eis que surge uma nova dúvida: por que existem tantas máquinas de venda por lá? Em praticamente todas as cidades japonesas é possível encontrar essas maquininhas e elas oferecem praticamente de tudo, desde pão em lata e sutiãs até cigarros e crepes. Conhecidas pelo nome de "jidouhanbaiki" ou pelo apelido de "jihanki", não é difícil se deparar com uma delas em quaisquer locais que você visite.

Segundo os dados divulgados pelo site da Organização Nacional de Turismo japonesa, o país possui a maior taxa de máquinas de venda por extensão territorial do planeta, possuindo cerca de 5,52 milhões desses objetos. Narrando sua vivência na Terra do Sol Nascente, Brian Ashcraft, correspondente do Kotaku, explicou o motivo dessa mania oriental.

Para todos os gostos

Embora as máquinas que vendem diferentes tipos de comida sejam fáceis de encontrar, também há espaço para as mais bizarras, sendo que algumas delas já foram utilizadas para comerciar alucinógenos e dispositivos piratas. No entanto, a maioria oferece cigarros e bebidas (quentes, geladas, refrescos e álcool). Os primeiros aparelhos lançados no país, disponibilizados em 1888, comerciavam apenas cigarros.

Durante a década de 60, depois da grande expansão que o Japão teve após a Segunda Guerra Mundial, as máquinas se tornaram ainda mais populares e se espalharam pelos quatro cantos do país, produzindo assim uma maneira simples para que as pessoas pudessem comprar e os lojistas distribuir.

A terra dos nipônicos é o lar para diversas marcas de bebidas mundialmente famosas, entre elas Suntory, Itoen, Kirin, Calpis etc. Uma vez que as companhias precisam de um lugar para ofertar, o utensílio se torna indispensável e extremamente conveniente – o mesmo se aplica às fabricantes de tabaco.

Uma forma de propaganda diferente

A máquinas de venda já se tornaram parte da sociedade e da cultura japonesa, tanto é que são utilizadas não apenas para popularizar o produto como também as próprias empresas. Usufruindo dos lados do dispositivo, as empresas divulgam a marca e o catálogo de itens disponibilizados. Não é nada difícil encontrar aparelhos com figuras de animes, comics, video games e até personagens famosos de livros estrangeiros.

Algumas companhias preferem usar as máquinas mais para publicidade do que para vender as próprias mercadorias. Por exemplo, lançaram uma que oferecia sutiãs, mas a ideia não deu muito certo e virou motivo de chacota. Porém, o objeto serviu para divulgar o nome da marca e atrair o público mais “saidinho”.

A sociedade dos vendedores anônimos

Um dos métodos mais diferentes de comercialização no Japão são as “vendas não tripuladas”. Elas funcionam como as máquinas de venda, só que sem elas. Parece complicado, mas é simples: o comerciante monta uma barraquinha no meio da rua, mas não fica presente. Espera-se que o cliente pegue os produtos desejados e deixe o dinheiro contado no caixa. Assim, não há interação entre os dois e todo mundo sai feliz. Será que daria certo no Brasil?

Em geral, essas quitandas distribuem vegetais e são encontradas no interior. Todavia, vale lembrar que o Japão não é o único que possui esse tipo de loja, sendo possível encontrá-las em diversos outros lugares pelo mundo. Porém, visto que o país possui uma taxa de criminalidade muito baixa, elas estão se tornando cada vez mais comuns por lá.

A preservação das máquinas de venda

Segundo a Organização Nacional de Turismo japonesa, uma das principais razões pela grande quantidade de maquininhas de venda é a pouca quantidade de assaltos, o que permite que elas possam ser deixadas em lugares abertos e raramente sofram vandalismo. Porém, isso às vezes acontece.

Além disso, como os protestos e manifestações nipônicas raramente são violentos e terminam em assaltos, as máquinas permanecem inteiras. Unindo o fato de que elas estão sempre funcionando e os japoneses são um povo mais tímido, a maioria das pessoas utiliza esse método de aquisição sem grandes problemas.

A paixão pela tecnologia também influencia na hora de escolher o método de aquisição eletrônico, sendo que os dispositivos mais modernos já estão equipados com serviços de previsão do tempo, eventos que acontecem nas proximidades e anúncios digitais que são mostrados na própria tela.

Todavia, a praticidade de vender os produtos e comprá-los de maneira mais simples é um dos principais fatores que ajudaram na popularização das máquinas. Afinal, sai muito mais barato comercializar dessa maneira do que abrindo uma loja física. Além disso, embora as grandes cidades nipônicas possuam fileiras e mais fileiras de maquininhas, até mesmo em templos xintoístas e budistas você consegue encontrar exemplares desses objetos.

Aqui no Brasil, nós também temos alguns modelos que distribuem bebidas, chaveiros, bonequinhos e até mesmo livros – principalmente no metrô –, mas na Terra do Sol Nascente o dispositivo faz parte de uma verdadeira cultura tecnológica, comercial e de empreendedorismo.