Se alguma vez você já ouviu falar das “festas do farol” brasileiras, então provavelmente entende o conceito segundo o qual usar uma pulseira de cada cor do semáforo serve para deixar claro se você está ali simplesmente para se divertir, se está totalmente aberto para a pegação ou se a situação vai depender de alguma conversa. Nos EUA, no entanto, está na moda uma versão mais adulta desses eventos – com um sistema de classificação curioso.

Ao chegarem nesse tipo de festa, as pessoas têm que escolher um de três tipos de carimbos de animais. Aqueles que preferem se classificar como cachorros estão abertos para que quem se interessar em chegar junto, com beijos e toques liberados, mas sem sexo. Enquanto isso, os gatos só autorizam os avanços alheios se perguntados antes e os pássaros estão ali apenas para dar uns beijinhos, e mesmo para isso são bastante seletivos.

Ruby Rogers, fundadora de uma organização chamada Sustainable Hedonism, decidiu incorporar esse código visual nas suas “Festas do Amasso” (tradução livre para "2nd Base Parties") por ter se irritado com a insistência das outras pessoas em eventos. “Eu estava cansada de ter que esclarecer que só queria um pouco de pegação e ter que ficar dizendo ‘não, não, não’ porque as pessoas não acreditam que você só quer dar uns beijos”, explica.

Controlando as feras

Segundo Rogers, o código dos animais tira o aspecto predatório desse tipo de festa e facilita que as pessoas de cara já deixem claro exatamente o que querem fazer ou, mas importantemente, o que não gostam que façam com elas. A ideia dos limites pré-estabelecidos adotada por ela veio de outro entusiasta do contato humano e fundador do House of Young Cuddle Club, David Pullman.

Em 2004, o rapaz teve que se mudar da cidade de Eugene, no estado norte-americano de Oregon, e ir para a região da baía de São Francisco, na Califórnia. Ao tentar começar um novo clube de carícias, seus novos amigos californianos estranharam a ideia de que qualquer pessoa poderia tocá-los contra a sua vontade. Para resolver o problema, Pullman criou o sistema de cachorros, gatos e pássaros.

“Isso deu um pouco mais de controle para todos e passou uma sensação de segurança ao entrar em uma festa dessas [...]. É um método bastante efetivo de dar escolha para pessoas sobre como participar desses eventos, especialmente se é novidade para elas. [Com o código], elas não estão simplesmente se jogando aos lobos”, explica o criador.

Começando como quiser

Os códigos de conduta são métodos comprovadamente eficientes para manter as coisas sob controle nesses tipos de eventos, tanto nos que restringem o contato para certas partes do corpo quanto para aqueles em que tudo é liberado. Enquanto algumas festas usam esquemas conhecidos, como palavras de segurança e pulseiras coloridas, outras preferem inventar seus próprios mecanismos e podem até contar com supervisores para ficar de olho nos convidados.

“É ótimo ter um espaço para os principiantes, pessoas que nunca abriram seus relacionamentos, jamais estiveram em situações de grupos ou não haviam entrado em contato com qualquer aspecto dessa cultura. Antes, não havia muito como separar eventos de intimidade sem sexo, festas de toque e conchinha e orgias onde você pode praticar suas habilidades”, ressaltou Rogers.

E você, qual animal escolheria? Achou a ideia estranha? Jamais participaria desse tipo de festa? Deixe sua opinião nos comentários.