Quem nunca contou uma mentirinha na vida, mesmo que fosse uma bem inocente e com o objetivo de poupar alguém da verdade? No entanto, algumas pessoas simplesmente não conseguem conter o impulso e se tornam mentirosas compulsivas — e nós aqui do Mega Curioso garantimos que poucos chegaram tão longe como Jean-Claude Romand, um francês que assassinou a família inteira para não ter que admitir que sua vida era uma ilusão.

De acordo com Jennifer Wirth, do portal All Day, as mentiras de Romand começaram quando ele entrou para um curso preparatório para entrar na faculdade. Segundo os registros, ele desistiu das aulas após alguns meses devido a uma doença misteriosa e decidiu voltar algum tempo depois, mas já matriculado na faculdade de Medicina.

Estudante nada exemplar

Segundo Jennifer, depois de perder vários trabalhos e exames, Romand não conseguiu sair do primeiro ano de faculdade e resolveu desistir dos estudos novamente. Entretanto, em vez de simplesmente contar para a sua família e os seus amigos, o francês achou melhor esconder a verdade — durante 12 anos, que seria o tempo que ele supostamente teria levado para se formar!

Manchete da época revelando as mentiras de Romand

Nesse tempo todo, Romand se matriculava todos os anos e fazia de conta que era um estudante normal. Ele inclusive pedia as anotações de seus colegas emprestadas, passava noites em claro estudando para as provas e até aparecia no dia dos exames finais, mas nunca chegava a fazer nenhum deles. E ele fez isso durante anos, até que o pessoal da faculdade começou a achar essa história toda muito estranha.

O problema é que os familiares e amigos mais próximos de Romand realmente acreditavam que ele estava estudando duro para se tornar médico. Então, um belo dia, o francês informou a todos que tinha terminado não só a faculdade, mas também sua residência em cardiologia.

Como se fosse pouco, Romand também disse que havia arranjando um emprego como professor na Universidade de Dijon e que havia sido convidado para trabalhar junto às Nações Unidas, em Genebra. Na verdade, o falso médico não tinha emprego nenhum e simplesmente cruzava a fronteira entre a França e a Suíça todos os dias, ia até a ONU, conseguia um crachá de visitante e passava o dia inteiro na biblioteca do edifício.

E as mentiras continuam...

Sabe o pior? Em vez de Romand usar esse tempo todo para fazer algo de útil com sua vida ou simplesmente contar a verdade, ele continuou com as mentiras — e, surpreendentemente, se casou e começou uma família. Aliás, Romand podia ter inventado qualquer coisa e dito que havia perdido o emprego, que havia se desiludido com a profissão, enfim, e ter começado a vida do zero. Mas, não...

Romand ao lado da esposa

O francês criava cada vez mais elementos para a sua vida de mentira, enchendo o escritório de casa com documentos e notas escritas em papel timbrado da ONU, e com frequência inventava viagens de negócios para se ausentar. Para enganar a esposa e os filhos, Romand comprava presentes nas lojinhas de souvenirs de aeroportos e proibiu a mulher de telefonar para ele no trabalho — dizendo que era ocupado demais.

Você deve estar curioso sobre como Romand fazia para sustentar a família sem trabalhar, não é mesmo? Ele inventou para seus familiares e amigos próximos que, graças ao seu cargo na ONU, ele conseguia fazer investimentos com uma taxa de juros melhor — e convenceu seus pais, sogros, tios e até uma de suas amantes (sim, no meio dessa mentirada toda, ele ainda arrumou tempo para ter outras mulheres!) de que ele podia ser seu agente financeiro.

Com isso, Romand conseguiu surrupiar cerca de 2,5 milhões de francos das contas de todos mundo, e era com essa grana que ele financiava seu estilo de vida digno de um doutor de prestígio — com direito a ter um carro de luxo na garagem, uma casa espaçosa e enviar os filhos a colégios particulares.

Fim da linha

Tudo ia muito bem para Romand, até que sua amante resolveu pedir parte do dinheiro que ela havia “investido”. Coincidentemente, na mesma época, alguns amigos do falso médico descobriram que ele não trabalhava para a ONU coisa nenhuma — e o mentiroso se desesperou.

Romand e sua família

Romand decidiu comprar uma arma, um silenciador, duas latas de gás lacrimogêneo, alguns barbitúricos e um pouco de gasolina. Então, na noite do dia 9 de janeiro de 1993, o falso médico matou a mulher a pancadas com um rolo de massa e, na manhã seguinte, acordou os filhos e passou o dia todos assistindo a desenhos com eles na TV.

À noite, Roland matou as duas crianças com tiros na cabeça enquanto elas dormiam e, depois, foi até a casa de seus pais e matou os dois — incluindo o cachorro do casal. Por último, o embusteiro convidou a amante para um jantar romântico, e ia matá-la também, mas a mulher conseguiu escapar e avisou as autoridades.

Romand continua preso

Romand tentou escapar, voltando à casa onde havia deixado a mulher e os filhos mortos, para cometer suicídio. O plano era tomar os barbitúricos e morrer enquanto a residência era reduzida a cinzas em um incêndio, mas a polícia chegou antes e prendeu o assassino.

No fim, o mentiroso foi diagnosticado com transtorno de personalidade narcisista e, em 1996, ele foi condenado a passar a vida na cadeia — onde está até hoje. Aliás, segundo Romand, apesar de se encontrar atrás das grades, por estar longe das mentiras, ele nunca se sentiu tão livre.