O que faz de um terreno o lugar perfeito para esconder um corpo? De acordo com a polícia, as qualificações são simples: clima quente e úmido; animais selvagens, com fome para garantir a rápida destruição de provas; que seja remoto o suficiente para evitar que visitantes indesejados apareçam e “tropecem” no corpo; não tão inacessível que o autor do crime não possa chegar no meio da noite. Você conhece algum lugar assim? Então você pode conhecer um campo da morte!

Os investigadores norte-americanos listaram os 5 maiores locais do tipo. Confira a história de cada um deles:

5. Calder, próximo a I-45, Texas – 30 corpos descobertos

Desde a década de 70, mais de 30 mulheres jovens desapareceram ou foram encontradas mortas ao longo da Interestadual-45, no Texas. Além disso, o trecho de 80 km de estrada foi apelidado de Estrada do Inferno, devido à alta frequência de acidentes de trânsito. A área virou até cenário do filme “Em Busca de um Assassino”, que conta a história de dois policiais que tentam solucionar o desaparecimento e morte de mulheres que têm seus corpos abandonados na região.

Mas a realidade dos campos é muito mais preocupante do que qualquer obra de cinema. Essa região do Texas é quente e úmida, fazendo com que um corpo se deteriore muito mais rápido. Apesar do afastamento do local ser importante, é a influência do terreno que o torna uma excelente escolha para um assassino.

As autoridades que cuidam do campo da morte no Texas precisam correr contra o tempo e a natureza. A maioria dos casos relacionados aos 30 corpos encontrados até agora está longe de uma solução, mas existem algumas semelhanças surpreendentes entre as vítimas: mulheres com características físicas parecidas, como os penteados, e com idades entre 10 e 25 anos.

Em 1997, o desaparecimento de uma jovem em particular chamou atenção da mídia: a dançarina Laura Smither, de 14 anos, saiu para a sua corrida diária e não voltou mais para casa. Seus pais entraram em pânico e chamaram a polícia. Várias semanas depois, pai e filho encontraram um corpo durante uma caminhada. A princípio, os policiais alegaram que aquilo não passava de uma carcaça de animal, mas o pai os advertiu: “Os animais não usam meias”. 

O corpo de Laura havia sido deixado na água, o que o tornou irreconhecível – sua identidade foi confirmada através de um teste de DNA. Não foram identificadas provas na cena do crime, e até hoje a polícia não encontrou o assassino da jovem.

4. Baton Rouge, Luisiana, 37 corpos encontrados

Durante o ano de 2002, na capital sufocante de Luisiana, as mulheres temeram sair de suas casas: em apenas dois meses, a polícia confirmou que um serial killer matou três mulheres da região. Dois assassinatos aconteceram nas casas das vítimas, mas uma delas foi sequestrada e depois morta.

Os três assassinatos foram adicionados a uma lista de pelo menos 37 casos não resolvidos envolvendo mulheres em Baton Rouge. Em uma cidade que vê cerca de 60 assassinatos por ano, a casa onde uma das mulheres foi morta virou atração, já que havia sinais de entrada forçada.

Os igarapés da Louisiana são úmidos, cheios de vida selvagem e, como resultado, um ótimo lugar para esconder um corpo. Outro grande problema da região é a enorme densidade de suas áreas pantanosas, extremamente arborizadas.

Os policiais, que por vezes sobrevoam a área de helicóptero, afirmam ser quase impossível inspecionar todo o pântano.

3. Pelham Bay Park, Nova York, 65 corpos encontrados

Muitos dos filmes que envolvem crimes querem nos fazer crer que há certos lugares em torno de Nova York que são privilegiados para despejar um corpo: infelizmente, eles estão certos. Um desses lugares é o Pelham Bay Park. 

No início dos anos 90, um jovem policial viu dois homens saírem do bosque de madrugada e, quando parou para questioná-los, observou que suas mãos estavam sujas de sangue. O policial pensou que eles pudessem ter matado algum animal na floresta, já que o lugar costumava ser usado para rituais de sacrifício. Mas eles garantiram que o oficial não encontraria nenhum animal morto no local e seguiram seu caminho.

Eles não estavam mentindo. O oficial realmente não encontrou nenhum bicho, mas sim um humano sem vida. Só que aquele não era o primeiro cadáver descoberto: desde o fim da década de 80, outros corpos foram encontrados com bastante regularidade, já que aquele era um local remoto e escuro.

Há quem acredite que, pelo fato de, anteriormente, o parque ter sido um cemitério dos índios Lenape, seu histórico seja a razão que atraia tantos adoradores satânicos e até assassinos para a região.

Pelham Bay Park é o maior em Nova York, em grande parte intocado pela industrialização que define a cidade. Até agora, muitos dos crimes ocorridos no local continuam sem solução.

2. Leakin Park, Baltimore, 71 corpos encontrados

Se você já assistiu à série “The Wire”, já deve ter ouvido falar de Leakin Park, um dos maiores campos de matança dos Estados Unidos. Os moradores de Baltimore costumavam falar que “se você cavar para enterrar um corpo, vai acabar encontrando outro cadáver”.

O local já é considerado por muitos um cemitério, já que os policiais se deparam com ossos perdidos constantemente.

A partir de 1968, quando os corpos de quatro jovens foram encontrados neste deserto urbano, o destino do Leakin Park já estava traçado. Desde então, o local virou ponto de encontro de criminosos e a contagem de cadáveres continua a subir. Existe até mesmo um arquivo digital intitulado de “os corpos de Leakin Park”.

Outro fator que contribui para a situação é que o parque tem muitas vias de acesso que levam discretamente para dentro e fora da floresta. Apesar de sua reputação, muitos ciclistas e caminhantes gostam de utilizar o local para praticar atividades físicas, ignorando sua fama. A justificativa é que os assassinatos acontecem em outros lugares e os corpos são “apenas” levados para lá.

1. Deserto de Mojave, Califórnia, 148 corpos encontrados

Passando dos 50 °C nos dias mais quentes, o deserto de Mojave se estende por uma área de mais de 64 mil km². Acredita-se que este é o lugar preferido da máfia, tendo sido o pano de fundo de várias mortes ao longo da História. Um dos famosos casos é o desaparecimento da família McStay. A busca só acabou quando seus corpos foram encontrados no deserto, depois de anos desaparecidos.

Os cadáveres de Joseph McStay, sua mulher Summer e seus dois filhos pequenos, Gianni e Joseph Jr., foram encontrados em covas rasas, a 160 km ao norte da casa da família. Durante as investigações, os policiais encontraram no computador buscas recentes, que incluíam “O que as crianças precisam para viajar para o México?”

Posteriormente, o parceiro de negócios de Joseph, Chase Merritt, foi preso depois que a polícia descobriu seu DNA no veículo recuperado de McStay.

Família McStay

O deserto da Califórnia é quente, extenso e afastado. Assim, se um assassino desova um corpo no local, vai demorar um bom tempo até que alguém se depare com ele. Isso se o encontrar.

No Brasil

A cidade de Simões Filho, periferia de Salvador, foi apontada pelo Mapa da Violência 2012 como o município mais violento do Brasil. O promotor de Justiça do Ministério Público da Bahia, Geder Gomes, acredita que o alto índice se deva ao fato de criminosos, que atuam em Salvador, estarem usando as rodovias da cidade para desovar cadáveres, o que aumentaria o índice de criminalidade do lugar.

O Morro de Cosme e Damião, Rio de Janeiro, também é um conhecido ponto de desova de corpos de traficantes. A polícia ainda descobriu que, no pé da favela, havia uma casa que servia de cativeiro enquanto resgates eram negociados.

Nem mesmo a famosa Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, estaria livre da situação. Durante o trabalho de despoluição do Canal do Cunha, sete corpos foram descobertos, emitindo o alerta às autoridades.

Qual seria a melhor solução para os “campos da morte?” Comente no Fórum do Mega Curioso