“Você não é homem? Então aguenta a porrada”. Foi com essas palavras que o jovem Kaíque Santos Lima começou a ser espancado na noite da última quarta-feira (6), em Barueri (SP), por dois homens que ele não conhecia, mas o chamaram pelo nome. O ataque aconteceu à noite, quando ele voltava da faculdade. O crime tem todos os indícios de intolerância quanto às diferenças: Kaíque é um rapaz transgênero, ou seja, ele nasceu em um corpo feminino.

Sua publicação no Facebook contando a agressão recebeu mais de 13 mil curtidas e 2 mil compartilhamentos. A grande maioria, felizmente, dando apoio ao rapaz de apenas 18 anos que relata ter chorado muito após o ataque, lamentando não ter nascido “um homem por completo”. Kaíque encontrou conforto em amigos e depois disse entender que ele é sim, homem por completo – ainda que transgênero.

Kaíque publicou no Facebook o resultado das agressões sofridas

“Quem não é homem são esses daí... Eu posso não ter um pinto no meio das pernas, mas eu tenho uma coisa melhor que se chama CARÁTER e isso ninguém pode tirar de mim”, escreveu o rapaz em seu desabafo. Ele faz referência às agressões verbais que recebeu, tais como “Vamos fazer você voltar a ser mulher de novo” e “Você nem tem pinto”.

Atualmente, no Brasil, a transfobia, assim como a homofobia, não são consideradas um crime. Claro que o ataque sofrido por Kaíque não é amparado pela lei, mas, infelizmente, conseguir que os agressores sejam punidos é uma tarefa difícil. Enquanto isso, eles ficam soltos para praticar outros casos de intolerância. Ainda assim, Kaíque registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de Barueri, e nós aqui do Mega Curioso torcemos para que os culpados sejam identificados e punidos.

O desabafo completo

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