Quando a capital de um país se chama Praia, você já pode esperar coisas boas dele. No Próxima Parada de hoje, vamos fazer uma viagem extremamente agradável por Cabo Verde, país insular que reúne um grupo de 10 ilhas vulcânicas – dessas, nove são habitáveis – e está localizado a quase 600 km da costa da África Ocidental. Por lá, a língua oficial é o português, ainda que o crioulo cabo-verdiano também seja falado no país.

Com pouco mais de 530 mil habitantes, Cabo Verde tem muita influência europeia em sua cultura – a região foi encontrada por exploradores portugueses no século XV. O sistema político do país é semipresidencialista, ou seja: por lá, há um presidente (Jorge Carlos Fonseca) e também um primeiro-ministro (José Maria Neves). A moeda é o escudo cabo-verdiano e a religião oficial é a católica.

Por ser a região dos trópicos a ser primeiramente ocupada por europeus, já se pode imaginar que a região serviu de fonte à exploração humana, por meio do comércio de escravos — até mesmo porque era ponto de parada de exploradores que navegavam entre a Europa, a Austrália e a Índia. Foi apenas em 1975 que Cabo Verde se tornou independente de Portugal.

Questões geográficas e econômicas

A capital Praia

Hoje o país já consegue explorar seu potencial turístico, e a economia local é, em boa parte, dependente disso. O clima é quente durante quase todo o ano, e a paisagem natural de Cabo Verde transforma o país em um belíssimo cenário.

Como está entre um arquipélago de ilhas vulcânicas, você talvez esteja se perguntando se não há vulcões em Cabo Verde. Atualmente, há um vulcão ativo no país, na ilha do Fogo, que é também o ponto mais alto da região – são quase 3 mil metros de altura! O Pico de Fogo, como é conhecido, teve uma erupção pela última vez há 20 anos.

Das dez ilhas que formam o país, apenas a Santa Luzia não é habitada. As outras nove são divididas em dois grupos: as ilhas de Barlovento, que ficam ao norte; e as ilhas de Sotavento, que ficam ao sul. A capital Praia fica na ilha de Santiago, ao sudoeste. Outra grande ilha é a de Santo Antão, no noroeste.

O país já foi apontado em 8º lugar entre os que mais sofrem com o aquecimento global. Chuva é coisa rara por lá, e os moradores sentem na pele o que é não ter água potável com facilidade. Além disso, a região é afetada frequentemente por inundações. Geralmente chove entre agosto e outubro, mas muito menos do que seria necessário. Lá, as estações do ano não são definidas e a temperatura média costuma ficar entre 20 ºC e 25 ºC.

Cultura e turismo

São Nicolau

A questão cultural do país reflete a mistura entre as influências africanas e europeias, que fazem parte da sua história. Pode-se dizer, inclusive, que a cultura cabo-verdiana é um tipo de produto híbrido, resultante do cruzamento de informações dos dois continentes.

Um dos campos de maior destaque do arquipélago é, sem dúvida, a música. Lá, o Carnaval é levado a sério e as manifestações musicais deram ao país o apelido de “Brazilim”, algo como “pequeno Brasil”. Entre os gêneros próprios, destacam-se o morna, a quizomba, o funaná, a coladeira e o batuque. Uma coisa é certa: música, por lá, é o que não falta!

Cesárea Évora

Entre os nomes conhecidos internacionalmente podemos citar o da cantora Cesária Évora, que é chamada carinhosamente de “diva dos pés descalços”. Podemos falar também de Sara Tavares e Lura, outros dois nomes reconhecidos em diversas partes do mundo.

Além da música, Praia é ideal para quem gosta de paisagens históricas. A cidade é a maior ilha de Santiago, que foi a primeira do arquipélago a ser colonizada. A área total dessa ilha é de quase mil km², ideal para os adeptos de esportes ligados ao montanhismo. Já a região marítima é rica para quem busca um bom lugar para mergulho.

Feira do Mercado

Para quem é mais urbano, recomendamos a Praça Alexandre Albuquerque, que fica no centro de Praia. Ali, moradores e turistas se reúnem ao final das tardes, garantindo um clima harmonioso para quem busca maior contato com os moradores. Para as compras, vale conferir a Feira de Sucupira, que vende diversos produtos relacionados à cultura africana.

Não deixe de passear pela Avenida Amílcar Cabral. Ela é repleta de cafés e centros comerciais, com belos jardins e mercados de produtos agrícolas. Se quiser encarar as festividades locais, planeje sua visita para o dia 19 de maio. Nessa data, dia do município de Praia, dá-se início a três noites de festa, com diversas apresentações musicais.

Brava

A mais famosa praia da ilha fica entre Praia e Tarrafal. Aconselha-se viajar de carro pelos 70 km que separam o extremo sul e norte, para contemplar a vista de tirar o fôlego.

Não deixe também de visitar a Cidade Velha, que hoje é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade – a região foi eleita, inclusive, uma das 7 Maravilhas Portuguesas no Mundo. Em Cidade Velha, você vai ver construções que estão lá desde o século XVI.

E para comer?

Viajar para um lugar diferente e não experimentar pratos típicos é quase um pecado, então, uma vez que você pisar em Cabo Verde, não deixe de experimentar o guisado de feijão, típico da culinária local. O prato é feito com feijão pedra e charque.

Outra especialidade da gastronomia do arquipélago é a Catchupa, que nada mais é do que um preparo à base de carne de frango, de gado e de porco, misturadas com milho, feijão, couve e batata. Por mais bizarro que pareça, esse prato é servido muitas vezes no café da manhã. Dizem que a refeição é tão reforçada que é possível ficar até o jantar sem comer nada. Os mais fortes ainda adicionam um ovo frito, para arrebatar.

Se você não é de experimentar comidas muito pesadas, saiba que a região consome muitos frutos do mar, então há sempre essa opção disponível. E aí, deu fome?

Outras curiosidades

Cidade Velha

  • Em Cabo Verde, o racionamento de água é um problema comum. Para diminuir a escassez, o governo local desenvolveu um sistema que colhe água de nuvens passageiras. É quase uma chuva forçada.
  • Por causa da falta de chuva, muitas casas foram construídas sem telhados.
  • Se você tem alguma familiaridade com o candomblé, já deve ter ouvido falar da Baobá, uma árvore considerada sagrada na cultura africana. Em Cabo Verde, há muitos baobás, que acabam servindo como uma espécie de cisterna comunitária.
  • O Baobá foi assunto de pesquisa, inclusive, de ninguém menos que Charles  Darwin.

Pico do Fogo

  • Em Tarrafal há o campo de concentração local, que serviu de presídio aos presos políticos do regime de Salazar. A região era chamada de “campo da morte lenta”. Para visitar o local, você paga o equivalente a R$ 3.
  • Em Cidade Velha, destaca-se a grande produção de cachaça. Ótima dica aos beberrões.
  • Casamentos – tanto no civil quanto no religioso – não acontecem com frequência em Cabo Verde. Geralmente o casal apenas passa a viver junto, sem qualquer cerimônia.

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E aí, você já tinha ouvido falar de Cabo Verde? Visitaria o país? Conte sua opinião para a gente nos comentários!