Nas últimas décadas, por conta das crescentes tensões no mundo islâmico e do aumento de ações terroristas, infelizmente, de modo geral, os muçulmanos acabaram ficando associados com atos violentos. Isso é algo incrivelmente injusto, considerando que os seguidores do islã somam mais de 1,6 bilhão de pessoas e representam 23% da população global — e que apenas uma ínfima parcela deles defende o extremismo religioso.

Aliás, já que estamos no assunto de suposições injustas, você sabia que, na verdade, existem mais menções a atos violentos na Bíblia do que no Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos? De acordo com Samuel Osborne, do portal Independent, uma análise revelou que as mortes e a destruição são assuntos muito mais frequentes nos textos cristãos do que nos islâmicos.

Comparação

Segundo Samuel, a análise foi conduzida por Tom Anderson, um engenheiro de software que processou o conteúdo dos dois livros sagrados para descobrir qual deles continha mais violência. Anderson explicou que se inspirou no atual debate sobre a possível conexão entre o fundamentalismo religioso e o terrorismo, e se essa ligação reflete algo inerente e especificamente violento sobre o islã em comparação com as principais religiões do mundo.

Resultados da análise conduzida através do Odin Text, onde o Alcorão é representado pela cor vermelha no segundo e terceiro gráfico; o primeiro mostra uma comparação entre o Velho (azul) e Novo (vermelho) Testamento

O engenheiro desenvolveu um software especialmente para a tarefa — batizado de “Odin Text” —, e o programa processou tanto o conteúdo do Velho e do Novo Testamento quanto uma versão do Alcorão revisada na década de 1950. E não pense que a análise demorou uma eternidade, não!

Foram apenas 2 minutos, período em que o software separou as palavras presentes nos livros sagrados em oito categorias — alegria, antecipação, raiva, tristeza, repulsa, surpresa, medo/ansiedade e confiança — e revelou que o Velho Testamento é mais violento do que o Novo e duas vezes mais violento do que o Alcorão.

Alcorão (vermelho) x Bíblia (azul)

Ademais, o software apontou que a Bíblia traz muito mais menções relacionadas com a “raiva” do que o Alcorão, por exemplo, e que o livro sagrado dos muçulmanos teve uma pontuação bem mais alta nas categorias “confiança” e “alegria” do que os textos cristãos. Vale destacar que Anderson fez questão de deixar claro que a intenção dele não foi a de provar que o islã é mais — ou menos — violento do que as demais religiões.

Ele ainda esclareceu que tem ciência de que os três livros analisados — Alcorão, Velho e Novo Testamento — não são os únicos textos do cristianismo, judaísmo e islamismo e que eles estão longe de constituir todos os ensinamentos e protocolos dessas religiões. Entretanto, apesar de a análise não ter passado de um estudo superficial (sobre um assunto absurdamente polêmico!), os resultados estão aí, mostrando mais uma vez que o problema está nas pessoas.