Ao mesmo tempo que é considerado o menor exército do mundo e usa trajes que mais parecem fantasias do que uniformes de batalha, a guarda do Papa é uma das mais preparadas e bem equipadas do mundo. Ela existe oficialmente desde o dia 22 de janeiro de 1506, quando foi fundada pelo Papa Júlio II com integrantes da Guarda Suíça, que, na época, era vista como um dos melhores exércitos do mundo.

As situações em que foi acionada com mais trabalho, incluindo a proteção de um dos Santos Padres da história contra a força do Império Romano, são consideradas precursoras das mais conceituadas forças especiais de elite atuais. Foi um pequeno passo, mas que evidenciou o quanto devem ser preparados os grupos de proteção oficial, sejam os presidenciais ou os de grandes figuras públicas internacionais.

A tradição é mantida pelo Vaticano, pois, atualmente ainda, apenas homens suíços podem integrar a equipe que protege o Papa. Além disso, se mantêm também as características de armamento e proteção que parecem datadas do século 16, quando o grupo surgiu. Mas se há um sentido em dizer que “as aparências enganam”, certamente ele está presente no conceito do exército pontífice.

Mas como o time de protetores papais é formado? Quais são os requisitos, e como é a preparação dos guardas? O que há por trás da força especial de elite que faz a segurança do líder máximo da Igreja Católica? Confira os itens a seguir e conheça mais detalhes sobre a Guarda do Papa.

Um exército bem preparado

Naturalmente, não é qualquer um que consegue integrar a equipe de segurança do grande líder católico. Os soldados precisam atender a alguns requisitos mínimos bem claros: ser suíço; ter no máximo 30 anos; medir mais de 1,72 metro; ter servido às forças militares suíças com bons méritos; ter um diploma e ser católico (logicamente). Além disso, uma das exigências é que os guardas sejam solteiros; entretanto, se tiver mais de 25 anos, histórico de no mínimo 3 anos a serviço da segurança do Papa e se comprometer a mais 3 anos com um índice mínimo estabelecido, é permitido que se case. O tempo mínimo para se cumprir integrando a guarda do Papa é de 2 anos.

É claro que esses são os requisitos básicos, na medida em que a seleção de guardas do vaticano leva em conta muito mais detalhes para aprovar seus soldados. Aptidão física, alto nível de educação e capacidade militar e dedicação extrema são alguns dos pontos iniciais a serem observados.

Os guardas selecionados possuem 4 deveres iniciais: acompanhar o Papa em suas viagens; proteger o Colégio de Cardeais durante os deslocamentos do Papa; guardar as entradas do Vaticano e desempenhar outros serviços de honra e segurança. Para tanto, os soldados aptos passam por treinamentos aprofundados em contenção de multidões, proteção VIP, manuseio de armas letais e não letais, vigilância e demais serviços táticos exigidos pela função.

Equipamentos que atravessam os séculos

Os trajes da Guarda do Papa são os mais complexos entre os equipamentos militares do mundo atual, quando combinados com a armadura cerimonial e que formam o tradicional “Uniforme de Gala” utilizado em rituais e apresentações no Vaticano. Para meses mais frios e chuvosos, há uma roupa especial que caracteriza uma manta, e nem todos os integrantes das forças armadas da Igreja Católica acabam utilizando as vestimentas formais. Muitos ficam à paisana, geralmente trajados em ternos adaptados.

O armamento da Guarda Papal inclui desde lanças e espadas com vários séculos até as metralhadoras e pistolas automáticas mais modernas. E o treinamento dos soldados visa ao uso de todos esses equipamentos tanto para as cerimônias oficiais quanto para possíveis combates. Para se manter atualizada, a equipe de segurança do Pontífice conta com o apoio dos conterrâneos do exército suíço. A abrangência de épocas dos materiais utilizados, sem dúvida, é um dos pontos mais curiosos do grupo de proteção ao Papa.

O fato é que mesmo estando atenta e preparada com todas as novas tecnologias, o que é extremamente necessário, a Guarda Suíça não abandona qualquer equipamento por ser antiquado ou ultrapassado. As armas brancas e de fogo com séculos de idade se contrapõem aos modernos itens militares atuais, mas estão sempre lá, marcando presença.

Adoção de novos equipamentos pós-atentado

A pistola calibre .32 modelo Dreyse 1907 (esq.) e a semiautomática Sig P220

A título de curiosidade, após o atentado que atingiu e quase matou o Papa João Paulo II em 1982, houve uma mudança no armamento utilizado pelos seguranças dos pontífices. Durante mais de oito décadas, os guardas usaram as horríveis e antiquadas pistolas calibre .32  modelo Dreyse 1907. Após o ocorrido, a arma padrão utilizada pelos soldados passou a ser a semiautomática Sig P220. Além desse modelo de pistola, houve um reforço no armamento com metralhadoras e rifles igualmente modernos.

A linha azul do Vaticano

Além da Guarda Suíça que faz a segurança principal, há outra equipe que ajuda os serviços de proteção em aparições do Papa, principalmente na Praça de São Pedro e seus arredores. É o chamado Corpo Gendarmaria do Estado da Cidade do Vaticano, uma espécie de polícia local que ajuda na organização e contenção do público. Além disso, em viagens internacionais do Sumo Pontífice, também em conjunto com a Guarda Suíça, os policiais entram em contato com as forças especiais dos locais em que o Papa vai transitar, com o intuito de elaborar planos de segurança para incontáveis situações contingentes.

Para efeito de comparação, se a “Linha Azul” do Vaticano é a polícia, a Guarda Suíça é uma espécie de Serviço Secreto do Papa, porém em proporções muito menores. Dentre as atribuições do Corpo de Gendramaria, está a contenção de ataques e trabalho contra explosivos.

História: dedicação e trabalho postos à prova

Em 6 de maio de 1527, aconteceu o primeiro grande desafio da Guarda Suíça, que provou a força e a capacidade das forças armadas do Papa. O ocorrido foi durante uma tentativa de invasão do Império Romano, a mando do Imperador Carlos V, à Basílica de São Pedro, ocasião em que o Papa Clemente VII foi salvo graças ao grande trabalho e à entrega dos soldados no combate. Quase 150 dos então 189 guardas à disposição deram a sua vida para que o Sumo Pontífice se salvasse.

O Santo Padre passou cerca de oito dias fora da catedral, depois de escapar por meio de uma passagem secreta até o Castelo de Sant’Angelo. Sem dúvida, esse é um feito que inspirou toda a história da Guarda do Papa e até hoje deve servir de exemplo para os soldados mais jovens.