Olhando rapidamente, esse se parece com um grupo de adolescentes qualquer, em mais um dia de aula. Mas, em vez de caderno e caneta, o que estas garotas têm são Bíblias e cruzes. Nada de trigonometria ou química orgânica; o objetivo aqui é se tornar um exorcista. Você não leu errado: essas garotas estudam para lutar contra demônios, maldições e feitiços malignos.

Segundo uma das alunas, Brynne Larson, as pessoas se assustam quando ela chega. Afinal, quando se pensa em um exorcista, muito provavelmente, vem à memória a imagem de um padre de idade, como no clássico de terror da década de 60, “The Exorcist”, e não a de uma garota de 16 anos do ensino médio. 

Savannah Scherkenback, Brynne Larson e Tess Scherkenback

Mas Brynne, de Phoenix, Estados Unidos, faz parte de uma nova geração de “matadores de demônios” que responderam a uma chamada quando a Igreja admitiu que a existência de especialistas estava escassa.

Porém, segundo os membros do grupo, mesmo com os esforços da instituição, ainda não há um número de candidatos adequados. O chefe de exorcismo do Vaticano, Gabriele Amorth, de 85 anos, afirma que está lidando com 70 mil casos de possessão demoníaca.

Segundo o padre, a Igreja não consegue acompanhar a demanda. Mesmo com 100 equipes de exorcistas treinados trabalhando em todo o mundo, ele afirma que a possessão demoníaca está fora de controle. “Nossas linhas telefônicas estão constantemente ocupadas. Recebemos até mil pedidos por mês e precisamos viajar para lugares como África, Ucrânia, Inglaterra e Austrália”, afirma Amorth. 

Os grupos incluem exorcistas de até 70 anos e, por isso, as jovens adolescentes estão causando polêmica na comunidade religiosa.

Savannah Scherkenback, 19 anos, e sua irmã Tess, de 16, são mais duas graduadas do reverendo Bob Larson, na escola para exorcistas. “Nós descobrimos que as nossas jovens exorcistas são particularmente eficazes na cura do possesso”, diz Larson, cuja filha Brynne é uma exorcista sobrenaturalmente talentosa, segundo ele.

Ele afirma que as jovens, apesar de serem alunas aplicadas na expulsão de demônios, levam uma vida normal, como qualquer outra adolescente, pois gostam de fazer compras e encontrar os amigos no Starbucks. Porém, elas não assistem à TV: “eu acho que ‘Harry Potter’ e ‘Crepúsculo’ são instigadores do mal. Eles anulam a moralidade e apenas servem para ligar pessoas com o mal”, diz Savannah.

Durante as tardes de domingo, as jovens se encontram em um modesto hotel, no meio do árido Scottsdale, Arizona, onde ficam em uma sala de conferência. O jornalista Jeff Maysh, do Daily Mail, acompanhou uma das aulas das garotas. 

O tema é específico: exorcismo – como utilizar a oração para remover o diabo ou os espíritos demoníacos. Larson rapidamente lembra suas alunas dos sinais de possessão demoníaca: “falar uma língua que a pessoa nunca aprendeu; ter uma força sobrenatural; aversão violenta a Deus, à cruz e ódio de água benta”.

O exorcismo tem sido ensinado e realizado desde o início da Igreja Católica, entretanto, nunca houve uma demanda tão grande quanto agora. Durante as aulas, os aprendizes podem ter experiências reais com pessoas que, supostamente, estão possuídas.

As palavras “Satanás”, “Belzebu” e “Lúcifer" pairam no ar frio da sala. “Há duas partes para um exorcismo: em primeiro lugar, você tem que lidar com a cura interior, para se livrar de experiências traumáticas da infância e, em segundo lugar, com a libertação dos demônios”, explica a graduada Tess.

Para isso, as meninas são ensinadas a realizarem a “maldição da quebra”: as exorcistas mais experientes, Savannah e Brynne, ensinam Christina e Melanie a ler uma lista de demônios, com o objetivo de provocar o “demônio interior”, enquanto cantam em voz alta para o possuído.

Tess pratica a leitura a partir de uma lista de palavras: “morte”, diz ela, ameaçadoramente, levantando uma sobrancelha. “Câncer” – ela faz uma pausa, de forma dramática. “Assassinato”.

É, normalmente, depois de ela dizer “assassinato”, que a maldição é quebrada. “Ao ouvir as palavras, muitos começam a chorar. Certa vez, uma mulher entrou em colapso e começou a convulsionar, enquanto outro homem começou a engasgar. Lembro-me de me sentir animada pela primeira vez. ‘É isso’, pensei comigo mesma”, confessa Tess.

As meninas carregam um kit básico de ferramentas para o exorcismo: Bíblia, água benta e uma cruz. Assim que encontram uma pessoa possuída, sentam-se com ela, enquanto dois homens fortes seguram a suposta vítima na cadeira.

Savannah relata que é comum que essas pessoas comecem a rosnar, cuspir e até mesmo vomitar no local. Larson relatou que, recentemente, trabalhou com um homem uruguaio que tinha a palavra “porco” tatuada no antebraço. A mãe do homem implorou por ajuda, temendo que ele pudesse matar alguém. “Foi uma batalha dramática, mas nos livramos do demônio dentro dele”, relata Larson.

No último mês, ele e sua equipe ajudaram uma mulher a se livrar de uma maldição, feita na internet, de um curandeiro nigeriano que disse que “demônios escuros iriam atacá-la no sono”. Eles também curaram uma jovem que tinha sido levantada em um culto satânico, livrando-a de demônios que a instruíam a cometer suicídio.

Não é nenhuma surpresa que a filha de Larson, Brynne, tenha se interessado pelo ramo. “Todos os dias eu chegava em casa do trabalho, e ela ia perguntar: ‘Que demônios você encontrou hoje, papai’”, revela Larson. 

Brynne começou a viajar pelo mundo com seu pai exorcista quando era apenas uma criança e conduziu seu primeiro exorcismo aos 13 anos, na África. Desde então, a estudante tem realizado outros exorcismos bem-sucedidos, como o de sua melhor amiga, quando ambas tinham 15 anos. “Ela estava reclamando de dores de cabeça terríveis e tinha todos os sintomas de quem tem demônios.”

“Várias garotas da minha idade estão bebendo e fazendo outras atividades”, ela admite. “Isso simplesmente não é o meu caminho.” Durante uma pausa em sala de aula, Tess revela: “Meu momento de maior orgulho foi quando eu tinha 14 anos e fiz meu próprio seminário de quebra de maldição. Enquanto caminhava ao redor da sala com uma Bíblia e óleo para ungir os doentes, estava muito nervosa, porque esse é um rito muito importante de passagem para um exorcista.”

Mas nem todos são adequados para se tornar um exorcista. Larson diz que, para se juntar à classe, você deve ter tido um chamado de Deus: “Não importa se você é homem ou mulher. Nós encontramos estas jovens que são incrivelmente boas em exorcismos”.

O treinamento intensivo pode levar semanas e, possivelmente, meses. Após a conclusão, os exorcistas recebem uma cruz especial, gravada com palavras da Bíblia usadas nos rituais.

Apesar de jovens, elas relatam que já presenciaram cenas assustadoras, como pessoas rastejando como serpentes. Mesmo assim, seus pais não se preocupam com a nova ocupação das filhas. Savannah diz que, como cristãos, eles estão muito orgulhosos.

Em algo, todas as meninas concordam: exorcismos reais não são nada como os que você já viu em filmes como “O Exorcista” ou “O Exorcismo de Emily Rose”. Savannah explica que o cinema hollywoodiano acaba por sensacionalizar o ritual. Porém, segundo ela, “as cenas em que as pessoas convulsionam são reais”.

Larson revela que, antes de sua equipe ir para o local, um perfil psicológico do paciente é feito, para garantir que o assunto não é “apenas mental”. As respostas variam, mas muitos relatam coisas em comum, como o fato de enxergar sombras escuras e ter arranhões pelo corpo.

Ele também explica que não há uma taxa pelo serviço, mas que as pessoas costumam fazer uma “oferta” ao seminário. Durante as viagens, a equipe costuma ter despesas em torno de US$ 4 mil.

Se você ficou curioso, pode visitar o site do grupo Teenage exorcists

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