Atualmente, o que não falta são opções de produtos que prometem tirar os odores da vagina e deixá-la artificialmente perfumada e “limpa”. Além do fato de que não há nada de errado com o cheiro natural da vagina – assim como não há com o cheiro natural do pênis, com a diferença de que ninguém fala sobre isso –, esses produtos podem trazer mais prejuízos do que benefícios.

Um estudo divulgado pelo The Independent revelou que todos esses tratamentos aumentam as chances de contrair o vírus do papiloma humano (HPV). O estudo em questão foi promovido por pesquisadores da Universidade do Texas, que analisaram a relação entre o uso de produtos de higiene íntima e a incidência da doença.

Ao todo, foram avaliadas 1.271 mulheres com idades entre 20 e 49 anos, e os dados finais revelaram que a utilização desses produtos aumenta em 26% as chances de infecção.

Má ideia

Um perto de um logotipo

O problema é que esses produtos abrem as portas não apenas para o HPV, mas também para o câncer de ovário, que tem sua incidência dobrada entre as mulheres que usam produtos e métodos que prometem maior higiene íntima.

O motivo desse aumento está no fato de que esses tratamentos acabam desregulando os níveis das bactérias vaginais que são saudáveis para a vagina, fazendo com que ela se torne suscetível a infecções e inflamações.

De acordo com Ronnie Lamont, porta-voz do Royal College of Obstetricians and Gynecologists, “a vagina contém mais bactérias do que qualquer outro lugar do corpo depois do intestino, mas essas bactérias estão lá por um motivo”. Ele diz, ainda, que sabonetes específicos para a região acabam removendo as bactérias saudáveis do corpo, e isso é prejudicial.