Nós do Mega Curioso já falamos por aqui sobre alguns mitos relacionados com o açúcar — como o de que ele seria o responsável por aumentar a glicemia, causar cáries, provocar o aumento de peso e tornar as crianças hiperativas. Só que, a verdade é que o açúcar não causa nenhum desses problemas, pelo menos não sozinho e quando consumido em quantidades moderadas.

Aliás, de acordo com Joanna Fatozzi, do site Business Insider, existem outros tantos mitos supercomuns relacionados com o açúcar por aí nos quais muita gente acredita, mas que não são necessariamente corretos — como os quatro que você pode desvendar a seguir:

1 – “Existem tipos mais saudáveis do que outros”

Você já ouviu falar que o açúcar mascavo é mais saudável do que a versão branquinha refinada, e que o mel, como adoçante, é melhor do que os produtos industrializados? Aliás, com tantas opções disponíveis — frutose, cristal, orgânico, granulado, demerara etc. —, é fácil ficar confusos e achar que o organismo se comporta de maneira diferente com cada uma delas.

Açúcar mascavo(Pixabay/ckjeziorny)

No entanto, de acordo com Joanna, o que precisamos entender é que todas essas opções que descrevemos acima — incluindo o mel e a frutose — é que os açúcares, independente de sua forma, são carboidratos que são convertidos pelo nosso organismo em glicose, uma das principais fontes de energia do corpo.

2 – “Ele pode ser mais viciante do que algumas drogas pesadas”

Esse papo de que o açúcar pode ser mais viciante do que substâncias como a cocaína, por exemplo, surgiu há alguns anos graças a um estudo realizado por cientistas franceses. Nessa pesquisa, o time relacionou o desejo de ingerir doces com o centro de “recompensas” e controle do cérebro, a mesma área que é ativada quando consumimos drogas que causam dependência.

Açúcar refinado(Pixabay/Bruno Glätsch)

Entretanto, segundo Joanna, outros cientistas contestam essa relação, explicando que os pesquisadores franceses observaram esse comportamento em ratinhos de laboratório que só podiam se alimentar com açúcar durante um determinado período do dia no decorrer do estudo. Experimentos semelhantes, nos quais participantes — incluindo humanos — tinham a opção de consumir doces quando tivessem vontade, o efeito “viciante” não foi detectado.

3 – “Os adoçantes artificiais são mais saudáveis”

Apesar de os produtos adoçados artificialmente terem menos calorias do que suas versões convencionais, isso não significa que, por não contarem com açúcar em sua formulação, alimentos e bebidas contendo opções como o aspartame e a stevia, por exemplo, sejam mais saudáveis.

Um copo de refrigerante(Pixabay/Ernesto Rodriguez)

De acordo com Joanna, pelo menos no que diz respeito aos refrigerantes, um estudo da Universidade de Harvard revelou que quem consome as versões “diet” ou “zero” é duas vezes mais propenso a ser obeso do que quem prefere a opção convencional. Além disso, outro estudo apontou que a sacarina (mais um tipo de adoçante) pode ser mais viciante do que a cocaína — e outra pesquisa ainda identificou uma probabilidade de surgimento do diabetes 67% mais alta em pessoas que bebem refrescos adoçados artificialmente quando comparado com as preferem as versões com açúcar.

4 – “Ele deveria ser eliminado completamente da sua dieta”

O nosso organismo precisa de glicose para funcionar, certo? Portanto, nós precisamos de açúcar para sobreviver! Tudo bem que o consumo em excesso dessa substância está relacionado com o surgimento de vários problemas de saúde, como condições cardíacas, o diabetes e a obesidade, mas o açúcar sozinho dificilmente será a única causa dessas complicações.

Uma colher de açúcar(Pixabay/Design Foto)

No caso do diabetes, por exemplo, é muito mais fácil uma pessoa desenvolver essa condição por causa de fatores genéticos ou por estar acima do peso do que unicamente por gostar muito de doces, uma vez que o problema está relacionado com o metabolismo e o funcionamento do pâncreas. Com relação à obesidade, os alimentos ricos em açúcares geralmente também são ricos em calorias — e aqui a matemática é bem simples: se alguém consumir mais energia do que gasta, ela vai acumular o excesso na forma de gordura.

O fato é que, mesmo tentando, seria incrivelmente difícil eliminar o açúcar completamente da dieta, uma vez que ele está presente (naturalmente) em muitos alimentos que consumimos, e itens como frutas, tubérculos e produtos ricos em amido têm alto índice glicêmico, portanto, seria necessário cortar todos eles do cardápio.