Acredita-se que o HIV tenha saído dos macacos para os humanos na década de 1920, mas a primeira morte oficialmente aconteceu em 1959. A explosão da Aids aconteceu apenas na década de 80, quando a doença normalmente era descoberta já em seus estágios mais avançados e não existia tratamento.

Quando as primeiras medicações apareceram, elas nem sempre funcionavam para todo mundo e por vezes apenas prologavam a vida do paciente por alguns meses. Hoje em dia, o tratamento antirretroviral é bastante eficaz, e estimativas apontam que o soropositivo tem uma “sobrevida” de mais de 50 anos do início do tratamento, levando uma vida praticamente idêntica de quem não possui o vírus.

Ainda que a cura não exista, essa medicação é capaz de reduzir a quantidade de células infectadas a níveis muito baixos, a ponto de o HIV não ser mais detectado na corrente sanguínea. Quando isso acontece, o paciente soropositivo é chamado de “indetectável”. Muitos estudos tentaram analisar a taxa de transmissão dessas pessoas para parceiros negativos e agora uma nova diretriz aponta que essa contaminação não acontece!

HIVPacientes em tratamento antirretroviral não possuem o HIV em sua forma ativa

Não trasmissão

A novidade já havia sido adiantada em julho durante a 9ª Conferência da Sociedade Internacional da Aids e acaba de ser oficializada pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos. Ao menos sexualmente os portadores do vírus que já estiverem em tratamento não transmitem o HIV para seus parceiros.

“Em três estudos diferentes, incluindo milhares de casais e atos sexuais sem preservativo ou profilaxia pré-exposição (PREP), não foram observadas transmissões de HIV para um parceiro HIV negativo quando a pessoa HIV-positiva foi reprimida viralmente”, diz o comunicado da CDC.

A notícia foi vista com bastante entusiasmo pela comunidade que estuda o vírus, já que isso pode ajudar a diminuir o estigma que os soropositivos carregam. Mesmo assim, a CDC alerta de que a não transmissão só acontece se o soropositivo tiver carga viral indetectável, ou seja, com o tratamento sendo feito com bastante rigor.

TruvadaTruvada, o medicamente da PREP, que previne a contaminação, começou a ser disponibilizado no Brasil em 2017 e é indicado para casais sorodiscordantes

Brasil: referência no tratamento

Nos EUA, diferentemente do Brasil, o acesso à medicação antirretroviral é paga, por isso algumas pessoas demoram a começar a controlar o avanço da infecção, a ponto de ela virar Aids – nem todo soropositivo possui a doença, já que ela só considerada assim quando o corpo já está enfraquecido pela falta de medicação.

Nesse ponto, nosso país é uma das maiores referências mundiais, já que o SUS fornece toda a medicação necessária para o controle do vírus. O acompanhamento é contínuo e se, por acaso, o remédio deixar de fazer efeito, isso é detectado logo no começo a uma mudança na medicação novamente deixa a pessoa indetectável.

Porém, é importante ressaltar que o estudo só faz referência ao HIV, mas ele não é o único vírus transmitido sexualmente. Assim, por mais que a contaminação não ocorra caso o parceiro seja soropositivo e indetectável, outras doenças podem se aproveitar da relação desprotegida.

Mão segurando comprimidoNo Brasil, o coquetel mais comum contra o HIV reúne três medicamentos em apenas um comprimido diário