Você sabe como os antibióticos agem no organismo? Entre outras coisas, eles atuam diretamente sobre as bactérias intestinais, causando esgotamento. E, segundo o professor de patologia, microbiologia e imunologia da Faculdade de Medicina da Stanford University Bali Puledran, o medicamento acaba deixando o sistema imunológico com menor capacidade de resposta a novos desafios, como exposição a germes ou vacinas.

Assim, eles acabam reduzindo a eficácia da vacina contra a gripe, de acordo com o novo estudo de Puledran, que teve contribuição de pesquisadores da Emory University, Ragon Institute, The University of Chicago, Georgia State University e da Food and Drug Administration. “Até onde sabemos, esta é a primeira demonstração dos efeitos dos antibióticos de amplo espectro na resposta imune em humanos diretamente induzida pelo distúrbio de nossas bactérias intestinais", disse Puledran.

O estudo, que foi publicado na revista Cell, teve como base uma outra pesquisa desenvolvida por Puledran em 2011, na qual ele e seus colegas descobriram que ratos criados com tratos intestinais livres de germes não tinham uma resposta imune à vacinação tão forte quanto os “normais”. A mesma situação se repetiu com camundongos que receberam antibióticos.

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Para testar a relevância da descoberta em seres humanos, o estudo atual envolveu 22 adultos. Metade deles tomaram antibióticos de amplo espectro por cinco dias em uma temporada de gripe e, no quarto dia foram vacinados. O outro grupo não tomou antibióticos e também foi vacinado contra a gripe no quarto dia. A população de bactérias intestinais foi reduzida em 10.000 vezes com o uso de antibióticos e a perda pôde ser detectada até um ano após a ingestão. Apesar disso, 30 dias após a vacinação foi possível verificar o aumento induzido pela vacina de anticorpos capazes de prevenir a infecção por influenza nos dois grupos.

Vacina contra a gripe testada e aprovada

A equipe de Puledran voltou a fazer experimentos a fim de testar a eficácia da vacina em indivíduos com baixo nível de anticorpos contra a gripe, ou seja, com baixa exposição ao vírus ou à própria vacina anteriormente. Nenhum dos voluntários havia sido vacinado contra a gripe nos últimos três anos. Mais uma vez, a contagem de bactérias intestinais caiu muito nos que receberam antibióticos, mas houve uma mudança em relação aos testes anteriores.

O subtipo de anticorpo mais atuante no combate ao vírus influenza não conseguiu crescer no sangue em resposta à vacina. Esse déficit estava correlacionado às reduções pós-antibióticas nas bactérias intestinais totais.

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“O estudo indica que quando se trata de responder à vacinação contra um patógeno infeccioso encontrado anteriormente, nosso sistema imunológico é notavelmente resistente, mesmo diante do esgotamento mais grave de nossas bactérias intestinais. Mas, eles parecem perder essa resistência quando confrontados com uma vacina que contém novos elementos patogênicos dos quais eles têm pouca ou nenhuma memória prévia”, explicou Puledran.

O pesquisador ressaltou ainda a importância da vacina contra a gripe, uma vez que quanto maior a memória imune do nosso organismo às cepas de influenza, maior as chances de prevenção, mesmo que as bactérias intestinais estejam em baixa.