O leitor Cristiano Fernandes do Couto escreveu aqui para a redação do Mega depois de ler este texto sobre macarrão instantâneo. Em sua mensagem, ele quis saber os efeitos de alguns dos ingredientes presentes nesse tão popular macarrãozinho. Hoje, falaremos sobre o glutamato monossódico, um produto consumido em larga escala e ainda pouco conhecido.

Basicamente, o glutamato de sódio, como também é conhecido, é um composto rico em sal, que seduz os consumidores por ter a capacidade de também realçar sabores. É um ingrediente que está presente não apenas no macarrão instantâneo, mas também em produtos enlatados, em carnes e outros alimentos processados, salgadinhos, sopas e temperos prontos.

Em sua forma natural, é encontrado em proteína vegetal hidrolisada, leveduras, extratos de soja, proteínas, tomates e queijos. Ainda que para a Food and Drug Administration o ingrediente seja “geralmente reconhecido como seguro”, o uso e o consumo do glutamato é cheio de controvérsias.

Isso tem a ver com as reclamações feitas nos últimos anos a respeito do produto – ao que tudo indica, a substância pode provocar dor de cabeça, sudorese, pressão facial, dormência, formigamento, queimação, palpitações cardíacas, dor no peito, náusea e fraqueza. Para a Ciência, no entanto, nada disso é comprovado, embora já se saiba que o glutamato de sódio pode provocar reações em curto prazo.

Essa substância está naturalmente presente em diversos alimentos. Em 1908, o professor japonês Kikunae Ikeda conseguiu extrair o glutamato, patenteou o produto e deu início à produção em larga escala já no ano seguinte. Na época, o glutamato monossódico era extraído de algas, mas hoje vem da fermentação do amido, do açúcar de beterrada, da cana-de-açúcar ou do melaço.

Em média, uma pessoa adulta consome 13 gramas de glutamato de sódio natural e 0,55 grama da versão industrializada por dia. De acordo com o How Stuff Works, a forma sintética do produto tem propriedades e ações diferentes das vistas na versão natural. O site alerta para o fato de que pesquisas já foram realizadas na tentativa de comprovar que a substância em sua versão industrializada age promovendo a morte de diversas células do corpo.

Uma pesquisa feita em ratos que receberam doses do glutamato monossódico por meio de injeções concluiu que a substância está relacionada ao ganho de peso, ao sedentarismo e a distúrbios hormonais. O neurocirurgião Russel Blaylock escreveu um livro sobre o assunto, no qual se refere ao glutamato como “o gosto que mata”.

Um dos aspectos principais com relação à ação do glutamato tem a ver com o fato de que conhecemos apenas as reações negativas que são provocadas rapidamente, como as alergias e a sensação de queimação; mas quando o assunto é o consumo em longo prazo, pouco se sabe.

Um teste realizado com animais em 2002 concluiu que, depois de seis meses de consumo diário da substância, os bichos tinham desenvolvido danos significativos em suas retinas.

Em entrevista ao G1, a nutricionista Karin Honorato citou outros problemas de saúde que podem estar relacionados com o consumo desse elemento: “Ele [o glutamato monossódico] traz várias alterações para o organismo, como fadiga, cansaço, alteração de humor, alteração da memória e concentração, alergias e o pior: modifica as papilas gustativas, fazendo com que a pessoa fique mais viciada ainda neste tipo de sabor”.

Como ainda há poucos estudos relacionados a essa substância, é interessante tentar consumi-la moderadamente. Nesta edição da Revista Saúde Pública, o glutamato monossódico está relacionado a problemas como a hipertensão.

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