Você já deve ter ouvido falar a respeito dos termos “morte cerebral” ou “morte encefálica”, certo? Ambos representam a mesma condição — que se caracteriza pela incapacidade do cérebro de manter as funções vitais sozinho, ocasião em que o paciente precisa da ajuda de aparelhos para se manter vivo.

A morte encefálica pode acontecer em decorrência de diversas situações — como traumatismo craniano, derrames, paradas cardiorrespiratórias, inchaço cerebral etc. — e, normalmente, o diagnóstico é feito por dois médicos que devem seguir uma série de protocolos e conduzir vários exames antes de confirmar o quadro. Mas, quando isso acontece, infelizmente, o panorama é irreversível. Ou será que não é?

Revertendo o irreversível

De acordo com Philip Perry, do portal Big Think, um time de pesquisadores pretende reanimar pacientes diagnosticados com morte encefálica. A ideia tem como base a capacidade de determinadas espécies de peixes e anfíbios de recuperar partes inteiras do órgão, do tronco cerebral e até sistema nervoso central, que tenham sofrido danos significativos — e os cientistas envolvidos no projeto acreditam que podem fazer isso em humanos também.

Será que dá?

O esforço foi batizado de “Projeto Reanima”, e os pesquisadores farão uso de uma série de tecnologias com a esperança de restaurar os órgãos dos pacientes diagnosticados com morte cerebral. Na verdade, os primeiros experimentos devem começar em breve, já que os cientistas estão no meio do processo de seleção de 20 indivíduos vítimas de traumatismos cranioencefálicos.

A primeira fase do estudo deve acontecer ao longo de um período de seis semanas, e os pesquisadores farão uso de diversas terapias — como o emprego de lasers, estimulação de nervos e de injeções de células-tronco no cérebro periodicamente — com o propósito de regenerar porções danificadas do cérebro. Além disso, os médicos aplicarão doses diárias de uma combinação de peptídeos através da medula espinhal.

A seleção de candidatos já foi iniciada

Os pacientes serão monitorados de perto durante meses para que a sua — possível —recuperação possa ser acompanhada. E os pesquisadores darão especial atenção à porção superior da medula espinhal e ao tronco cerebral, já que essas estruturas são responsáveis por funções como o ritmo cardíaco e a respiração.

Otimismo

Apesar de os testes nem terem começado ainda, os responsáveis pela iniciativa estão muito confiantes e acreditam que começarão a obter resultados positivos já nos primeiros dois meses de estudo. Por certo, o principal objetivo do projeto é provar que a morte cerebral pode ser revertida — e abrir as portas para o desenvolvimento de novas terapias e tecnologias no futuro.

Tomara que seja possível

Segundo os pesquisadores, o estudo não só é importante para aumentar o nosso conhecimento sobre a morte encefálica, mas para que possamos entender melhor o funcionamento do estado vegetativo e de consciência mínima, o coma, e até de doenças degenerativas, como o Parkinson e o Alzheimer.

Evidentemente, a possibilidade de reverter a morte cerebral levanta uma porção de questões. Será que os pacientes voltarão ao mesmo estado em que estavam antes de seus acidentes? Será que eles se lembrarão de suas vidas e reconhecerão seus entes queridos? Será que eles terão que reaprender a fazer coisas como falar e caminhar?

Imagine o impacto

Por outro lado, se suas memórias puderem ser recuperadas, será que a possibilidade de reanimar pacientes que sofreram morte encefálica também abre a possibilidade de que possamos alcançar a imortalidade algum dia? Impossível saber as respostas de momento, mas o sucesso do projeto tem o potencial de causar uma revolução na nossa vida.