De acordo com um polêmico estudo publicado pela Universidade de Rice, no Texas, as pessoas que se consideram bissexuais possuem saúde mais frágil do que heterossexuais e homossexuais. Contudo, nada foi comprovado cientificamente até o momento, pois são somente hipóteses que sugerem esse quadro com base em entrevistas de centenas de pessoas, porém é um estudo, no mínimo, interessante.

O que é especialmente interessante é o fato de os próprios bissexuais classificarem os seus níveis de saúde e de bem-estar como inferiores ao das pessoas de demais sexualidades. As razões para isso não são claras, porém apresentam um comportamento que tem potencial para melhor estudado e entendido. Para fazer o estudo, os pesquisadores pediram para que 10 mil pessoas que pertencem às minorias (bissexuais, gays e lésbicas) classificassem os seus níveis de saúde e que outros 405 mil heterossexuais também respondem às questões.

De acordo com Bridget Gorman (o principal autor do estudo), as pesquisas sobre a saúde da população das minorias normalmente é insuficiente, já que em muitos casos não se faz distinção entre os diferentes tipos de minorias sexuais. Outras questões também foram analisadas nos questionários, como status socioeconômico, grau de educação, salário e empregabilidade dessas pessoas – fatores que podem influenciar na saúde de um indivíduo.

O resultado revelou que 19,5% dos homens bissexuais e 18,5% das mulheres bissexuais acham que a saúde deles está em um nível ruim ou mediano – a maior proporção entre todos os grupos. Em contraste, somente 11,9% dos homens gays e 10,6% das mulheres lésbicas se identificaram com esse grau baixo (a menor proporção do estudo). Já os heterossexuais ficaram no meio, 14,5% dos homens e 15,6% das mulheres se classificaram desse modo.

E não é só isso...

Outros dados também mostraram que os bissexuais possuem mais diferenças nítidas em relação aos outros grupos, pois somente 26% dos homens e 32% das mulheres se graduaram na universidade. Nos gays, esse número é de 57% e nos heterossexuais é de 38%. Além disso, foi constatado que os bissexuais fumam mais do que homos e héteros. Como se essas características não fossem suficientes, os pesquisadores perceberam que, dos três grupos, os bissexuais são os que têm o menor salário.

Mas o que esses dados realmente querem dizer? É complicado afirmar com 100% de certeza. De acordo com o coautor Justin Denney, se os bissexuais são a minoria dentro da minoria eles podem experimentar mais formas de discriminação, que, consequentemente, podem afetar outros campos, como saúde, grau de educação e predisposição ao tabaco – aspectos que influenciam o bem-estar.

Seja como for, o estudo da Universidade de Rice foi publicado na Revista Geography e traz questionamentos que são dignos de discussão – e que provavelmente serão analisados por um bom tempo.