Hoje em dia é comum que as pessoas aprendam um segundo idioma, e não é tão raro assim encontrar quem seja fluente em dois e até três línguas estrangeiras. Isso sem falar em indivíduos que, por conta de suas atividades — como tradutores e profissionais dedicados ao turismo, por exemplo —, trabalham diariamente com cinco ou seis diferentes. No entanto, existe um limite máximo de idiomas e dialetos estrangeiros que alguém pode aprender?

Afinal, vamos ser sinceros: como se já não fosse difícil o suficiente falar e escrever razoavelmente bem o nosso próprio idioma, então, imagine só ter desenvoltura com outros tantos! Mas, segundo o mental_floss, existe uma turminha capaz de falar várias línguas estrangeiras. Conhecidos como “hiperpoliglotas”, esses indivíduos se dedicam a estudar e compreender uma grande variedade de idiomas, muitas vezes ultrapassando 10 diferentes.

Superpoderes?

De acordo com Michael Erard, pesquisador que viajou pelo mundo em busca de hiperpoliglotas e autor de um livro sobre o assunto, determinar o número máximo de idiomas que uma pessoa pode aprender é complicado. Contudo, depois de passar um bom tempo com linguistas habilidosos, Erard concluiu que com uma boa dose de talento natural, motivação e muito trabalho duro, nada é impossível.

Segundo Erard, psicolinguistas consultados por ele disseram que, teoricamente, o único fator que limita o número de idiomas que uma pessoa pode aprender é o tempo. Já os hiperpoliglotas com os quais o pesquisador conversou parecem concordar que 15 talvez seja um limite razoável de línguas que um indivíduo conseguiria dominar com fluência.

Isso, claro, considerando que a definição de “fluência” para os hiperpoliglotas é um pouquinho mais refinada do que a nossa. Sem falar que o conhecimento que essas pessoas têm dos outros 20 ou 30 idiomas que não dominam tão bem quanto gostariam é, provavelmente, bem maior do que o inglês ou espanhol que aprendemos na escola. Conheça alguns desses incríveis linguistas a seguir:

1 – Graham Cansdale

Número de idiomas: 14.

Tradutor da Comissão Europeia em Bruxelas, Cansdale trabalha diariamente com um total de 14 idiomas estrangeiros, embora tenha estudado mais línguas durante sua carreira.

2 – Lomb Kató

Número de idiomas: 16.

Segundo esta poliglota húngara — que faleceu em 2003 aos 94 anos idade —, dos 16 idiomas que ela dominava, cinco precisavam de uma dedicação diária de 30 minutos para ser reativados, seis ela conseguia utilizar em trabalhos de tradução e os seis restantes “viviam dentro dela”. Graduada originalmente em Física e Química, Kató foi uma das primeiras tradutoras simultâneas do mundo.

3 – Alexander Arguelles

Número de idiomas: cerca de 20.

Este hiperpoliglota norte-americano não revela o número exato de idiomas que domina por acreditar que quem revela essa informação não merece a confiança dos demais. No entanto, sabe-se que Arguelles já estudou mais de 60 línguas e dedica nove horas diárias a elas. Os 20 idiomas acima se referem ao número no qual o linguista consegue ler fluentemente.

4 – Johan Vandewalle

Número de idiomas: 22.

Este engenheiro civil e filólogo belga conseguiu a proeza de vencer um concurso em 1987, no qual ele foi examinado em 22 idiomas diferentes. Os testes consistiam em conversas de 10 minutos de duração com “falantes” nativos, com intervalos de apenas 5 minutos entre cada um. Apesar de a quantidade de línguas que Vandewalle domina ser impressionante, na verdade, ele estudou mais idiomas ao longo de sua vida.

5 – Kenneth Hale

Número de idiomas: 50.

Kenneth foi um importante linguista do MIT que dedicou a vida a estudar uma enorme variedade de idiomas que jamais haviam sido estudados anteriormente, especialmente línguas indígenas faladas por tribos da América do Norte, do Sul e da Austrália. Segundo o próprio estudioso, ele apenas era fluente em inglês, espanhol e walpiri — língua aborígene falada por cerca de 3 mil pessoas —, alegando que apenas conseguia se comunicar nos demais idiomas.

Entretanto, Ken Hale considerava que a fluência em determinado idioma incluía o conhecimento de todas as implicações culturais da língua. Portanto, a alegação de que ele “apenas conseguia se comunicar” era pura modéstia. Aliás, apesar de ser humilde quanto a própria habilidade, colegas do linguista contam que chegaram a vê-lo abrir um livro de gramática finlandesa no avião e chegar ao país falando a língua tranquilamente.

6 – Emil Krebs

Número de idiomas: entre 32 e 68.

Embora as fontes sobre o número exato de idiomas nos quais este diplomata alemão era fluente não entrarem em um acordo definitivo, o talento de Krebs era tão impressionante que seu cérebro foi preservado para estudo depois de sua morte. Além disso, apesar de dominar entre 32 e 68 línguas, Krebs chegou a estudar ouras 120. Ele faleceu em 1930 aos 62 anos de idade.

7 – Giuseppe Mezzofanti

Número de idiomas: entre 40 e 72.

Segundo o biógrafo de Giuseppe Mezzofanti, um cardeal italiano que viveu entre os séculos 18 e 19, basicamente, o linguista estudou 14 idiomas que nunca usou, era capaz de manter conversas em outros 11 e havia 9 que ele não dominava com perfeição — mas que falava com sotaque perfeito —, isso sem falar nas outras 30 línguas as quais ele conhecia profundamente.