O paranaense Bruno Siqueira, de 18 anos, tem dado o que falar. Morador do município de Guarapuava, Bruno é o tipo de pessoa que chama a atenção por onde passa, e não é para menos: adepto ferrenho de mudanças no visual, o jovem tem diversas tatuagens, piercings, alargadores e chegou até mesmo a colorir a parte branca dos olhos. A modificação mais recente foi um implante de dois chifres de silicone na testa.

Em entrevista ao G1, Bruno afirmou que o visual, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, não tem a intenção de ser uma apologia diabólica. Sobre fé, ele afirmou que acredita em Deus, sim.

Procedimentos

Seu gosto por modificações corporais começou quando ainda era criança, e, aos 11 anos, colocou o primeiro piercing no nariz. Depois disso, vieram as tatuagens que ele hoje nem sabe quantas são – só no rosto, tem quase 20. As agulhadas, porém, não representam a dor maior nesse processo de modificação. De acordo com Bruno, implantar os alargadores no nariz foi o procedimento mais dolorido de todos.

Sobre os olhos pintados, Bruno disse ter realizado o procedimento no Rio de Janeiro. Cada olho levou cerca de 20 minutos de pura agonia para ser finalizado: “Chorei lágrimas pretas por dois ou três dias”, revelou. O procedimento, conhecido por “eyeball tattoo”, ainda não é considerado seguro pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia, por ser invasivo demais e poder provocar inflamações e até mesmo cegueira.

Nem mesmo a língua ficou de fora do visual excêntrico: em 2014, Bruno passou por um processo de bifurcação. O corte foi feito com um bisturi e demorou para cicatrizar: “Tive que ficar sem beijar por um bom tempo, mas valeu a pena”, afirmou o jovem.

Já os chifres, que foram colocados recentemente, ainda causam dor. O procedimento foi cirúrgico, porém sem anestesia. Para implantar o material, a pele da testa é cortada, descolada e erguida. Depois, são dados pontos para finalizar o processo. Será que dói?

História e futuro

Ainda que seja um rapaz despreocupado, Bruno sofreu por não ter o apoio da família. Ele saiu de casa muito cedo e precisou passar um tempo morando com amigos e conhecidos. Aos 16 anos, quando já trabalhava como tatuador, conseguiu morar sozinho – ou não tão sozinho assim: ele tem uma gatinha chamada Laurinha.

A família hoje aceita melhor o visual de Bruno, que vai ser pai em abril. Sobre a filha, ele diz que deixará que ela faça tatuagens, mas apenas quando estiver madura o suficiente para isso.

Quando o assunto é a sua vida social, Bruno explica que precisa evitar locais muito movimentados, pois muitas pessoas são preconceituosas e reagem com violência quando o encontram. “Elas não estão preparadas para o diferente. E eu sou diferente”, resumiu. No futuro, Bruno pretende fazer suspensão corporal e, segundo ele, o que quer que o deixe feliz.

Via EmResumo