Qual foi a maior viagem de ônibus que você já fez? Quanto tempo ela durou? 5, 10, 20 horas? Pois fique sabendo que ela não é nada longa – pelo menos quando comparada com a linha de ônibus mais longa da América do Sul, que percorre 5.917 km em quase infinitas 96 horas.

O Estadão publicou, há algum tempo, alguns detalhes a respeito dessa viagem maluca que tem início do Terminal Rodoviário do Tietê, em São Paulo, e termina em San Isidro, em Lima, no Peru. Ao total, a viagem cruza cinco estados brasileiros e sete departamentos peruanos, ou seja: é muito chão pela frente!

Detalhes

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O jornal enviou um repórter para acompanhar uma viagem do ônibus até a cidade peruana, como forma de registrar em detalhes como é essa viagem absurda. A empresa em questão é a Expresso Ormeño, com ônibus que acomodam até 44 pessoas em seus dois andares.

As paradas servem para que o combustível seja reposto e para que os passageiros possam comer alguma coisa e ir ao banheiro. Vale frisar: o veículo não fica parado por mais de 40 minutos, então é preciso ser rápido se a pretensão é a de almoçar e tomar um banho, por exemplo. A viagem custa R$ 550, mas cai para R$ 495 se paga em dinheiro (valor em novembro de 2013).

O início da saga

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A procura ainda não é muito forte e, por isso, as saídas dos ônibus acontecem apenas duas vezes por mês, sempre às 8 horas. A primeira parada acontece depois de seis horas de estrada, em um posto na Rodovia Raposo Tavares, nas proximidades de Ourinhos. Depois disso, a próxima parada acontece apenas na manhã do dia seguinte.

Essa pausa matutina é feita para tomar um banho, esticar as pernas e comer alguma coisa. O passageiro paga R$ 3 e tem direito a sete minutos de água quente. É melhor aproveitar. Depois disso, a próxima parada é às 14 horas para o almoço, e é bom que o passageiro caminhe o máximo que puder, afinal vai descer do ônibus novamente só no dia seguinte, às 7 da manhã. Já imaginou ficar sentado em um ônibus durante todo esse tempo?

Só um detalhe: a travessia do Rio Madeira, que acontece no meio da noite, é feita em balsa e todos os passageiros devem desembarcar para que o ônibus seja levado vazio. Algum tempo depois, a fronteira com o Peru se aproxima e a viagem parece que vai acabar logo. Mas a verdade é que ainda tem muito chão pela frente.

Quase lá

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A viagem ainda deve durar mais dois dias, percorrendo a Amazônia peruana e a Cordilheira dos Andes – não se pode reclamar da vista! O problema são as estradas, cheias de curvas e muito perigosas. Sem contar no desconforto que os motoristas enfrentam ao dirigir a 4.725 metros de altitude – e tudo isso feito a 30 km/h!

Na manhã do dia seguinte, na região do santuário inca de Machu Picchu, mais uma parada de 40 minutos e o segundo banho da viagem. O chuveiro quente custa o equivalente a R$ 2. Depois disso, o percurso demora mais algumas boas horas para ser vencido, mas com uma estrada melhor, pelo menos.

Ao final do trajeto, motoristas e passageiros ficam cada vez mais ansiosos pelo fim da viagem extremamente cansativa. E você, teria coragem de enfrentar esse trajeto a ônibus ou prefere economizar um pouco mais e ir de avião?