Se você cometeu várias gafes em uma viagem ao exterior, não fique com vergonha. Com certeza, você não está sozinha no grupo dos que ofenderam algum costume local ou foram considerados mal educados por um simples gesto.

Muitas vezes, não basta conhecer a língua local para evitar os escorregões na etiqueta. Especialistas no assunto aconselham a agir com mais discrição que o habitual aqui no Brasil. Com seu jeito extrovertido, o brasileiro pode acabar sendo mal interpretado em outros lugares.

Quando a gafe acontecer, não é preciso desistir do passeio. Agir com humildade e demonstrar interesse em aprender a cultura do outro é garantia de perdão.

Existem algumas publicações que, se consultadas antes da viagem, podem ajudar a evitar problemas. Um exemplo é o guia internacional Lonely Planet, editado por Robert Reid.

O livro dá algumas dicas genéricas que valem para qualquer lugar, principalmente em situações que envolvem as questões corporativas. Atender uma ligação telefônica durante uma reunião não é visto como algo negativo. Na verdade, não atendê-la tem uma conotação muito pior.

A pontualidade, muitas vezes esquecida aqui no Brasil, também segue uma regra universal. Em nenhum outro país o atraso é tolerado. Para evitá-lo, antecipe os eventos em sua agenda em 30 minutos, sempre.

No caso das viagens para diversão, os costumes se multiplicam e o ambiente de descontração facilita que as gafes aconteçam. Porém, antes de viajar, não se esqueça de aprender a dizer obrigada no idioma do país de destino e se desculpar pela falta de fluência. Isso soa educado em qualquer parte do globo.

Mas nem sempre é possível acertar: cada país tem um detalhe em sua cultura que pode colocar qualquer viajante em uma saia justa.

Etiqueta à mesa

Ninguém resiste a um delicioso jantar em um país diferente. Porém, não ignore a etiqueta dos estabelecimentos de certos países. Em Portugal, nunca peça sal e pimenta se esses condimentos não estiverem na mesa, pois isso é considerado uma ofensa.

Na França, depois de comer, evite discutir a conta ou dividi-la: nem todos os restaurantes toleram essas atitudes.

Para ser agradável com os mexicanos, deseje “Provecho!” durante as refeições. A expressão equivale ao “Bom apetite!” utilizado aqui no Brasil.

Cuidado com a vodca na Rússia

Ao contrário do que muitos pensam, na Rússia a vodca é reservada para brindes, não para consumo casual. Misturá-la com outras bebidas (como se faz no Brasil) também não é tolerado. Quando servida, a bebida é consumida em um gole só pelos homens. Já as mulheres, em geral, a recusam.

Em jantares, apoie os pulsos na borda da mesa durante a refeição. O garfo fica na mão esquerda; a faca, na direita. E não se esqueça da gorjeta, pois esse é um costume local que não deve ser ignorado.

Japão: o país da discrição

Quem voltar de uma viagem ao Japão sem cometer nenhuma gafe é, realmente, uma pessoa a ser admirada. Isso porque atitudes brasileiras do dia a dia não são toleradas no país asiático.

Durante a refeição, por exemplo, nunca encha o seu próprio copo. Para eles, esse gesto significa que você reconhece que é um alcoólatra. Evite isso enchendo o copo das outras pessoas e espere que alguém retribua o gesto.

Para comer macarrão, vale sugar e fazer barulho. Mas nunca apoie os hashis no prato na posição vertical, pois esse é o modo como eles oferecem arroz aos mortos. Depois de comer, não é necessário dar gorjeta.

Evite gafes por causa dos pés. Por estarem na parte mais baixa do corpo, eles não são bem vistos no Japão. Não aponte para objetos ou toque pessoas com eles. Se fizer isso, desculpe-se tocando o braço da pessoa com sua mão e, em seguida leve-a a sua cabeça.

Aliás, essa é outra parte do corpo de alguém que não se deve tocar, de acordo com os costumes locais, pois ela é considerada a parte mais elevada em uma pessoa. Por isso, não mexa nos cabelos dos japoneses, nem em seus travesseiros.

Saúde!

A etiqueta à mesa tem um capítulo especial para as bebidas. A saudação durante o brinde cai bem em todos os lugares. No Brasil, é “Saúde”; na Suécia, “Skalks”; e na Inglaterra, “Cheers”.

Quando estiver na Austrália, lembre que em um encontro de amigos, é comum pagar rodadas de bebidas para todos. E na terra da Rainha, sempre que for pedir duas cervejas, aponte os dedos para o próximo, nunca para si mesmo, pois essa atitude transmite confiança.

Cuidado com os gestos

Não são apenas as palavras que rendem gafes. Na Grécia, acenar com a palma da mão à mostra é visto como um ato de rejeição.

Já os italianos costumam demonstrar muito suas emoções, além de se expressarem também com os gestos. Assim, não se surpreenda ao ver beijos na face e abraços entre homens que são bons amigos. Eles também andam de braços dados, como é comum entre as mulheres brasileiras.

Na Tailândia, é importante que as mulheres evitem os monges. Tocá-los ou ser tocada por eles não é bem aceito. Para entregar algo a um, é preciso colocar em algum lugar onde ele mesmo possa pegar.

Em países árabes, você estará cometendo uma gafe se mostrar as solas dos sapatos, pois elas são consideradas sujas. E para os homens, há uma regra muitas vezes difícil de ser seguida: o elogio à beleza de alguma mulher para o chefe da casa não será bem aceito. Na verdade, renderá grande confusão.