As cobras, em suas mais variadas espécies, possuem diversas características diferentes, que as ajudam na caça e até na proteção contra predadores. Sabendo dessas particularidades, um grupo de cientistas da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, África do Sul, aparentemente identificou a cobra biúta, cujo nome científico é Bitis arietans, como a primeira espécie animal suspeita de não possuir qualquer odor.

O estudo conduzido pelos pesquisadores consistiu no treinamento de diversos cães e suricatos para reconhecer o cheiro de diferentes espécies de cobras a partir de roupas odorizadas, ou não. Os resultados foram publicados na revista científica Proceedings of the Royal Society B. Eles mostram que a precisão dos cães, tanto para identificar o odor das cobras biútas criadas em cativeiro quanto para as selvagens, foi percentualmente muito menor em relação às outras espécies, conforme revela o gráfico a seguir:

Na imagem, que mostra a porcentagem de precisão dos cães por tipo de cobra, as siglas representam as seguintes espécies: AHS aurora house snake, ou Lamprophis aurora; BHS – brown house snake, ou Boaedon capensis; RNA – rhombic night adder, ou Causus rhombeatus (víbora da noite); CS – corn snake, ou Pantherophis guttatus (cobra do milharal); CFS – common file snake, ou Gonionotophis capensis. Já as variedades de biúta de cativeiro e selvagem são representadas pelas nomenclaturas Captive e Wild, respectivamente.

Os suricatos foram submetidos a testes com apenas duas variedades de serpentes, as do tipo Boaedon capensis e as próprias biútas. Isso porque são somente essas que podem ser encontradas no habitat natural desse tipo de animal. De qualquer forma, eles também não conseguiram identificar as cobras que possivelmente não possuem cheiro.

A conclusão dos pesquisadores, então, foi de que grande parte do sucesso na caça por emboscada que é realizada pelas biútas acontece em função de sua particularidade de não possuir odores característicos. De acordo com os cientistas, a espécie realiza um tipo de camuflagem olfativa por meio de processos químicos.

Poderosa e venenosa, mas tem seu ponto fraco

A cobra biúta captura suas presas por emboscada e, eventualmente, pode atacar também humanos distraídos. Em uma investida, essa espécie de serpente, que possui um veneno bastante forte, pode desferir diversas picadas contra seus alvos. Em casos de incidência contra pessoas, 50% das ocorrências não tratadas resultam em morte. Os sintomas iniciais das vítimas consistem em dor, sangramento espontâneo, insuficiência renal e a chamada síndrome compartimental, que pode aumentar a pressão de determinadas regiões do corpo a ponto de inibir a circulação de sangue para os próprios órgãos afetados.

No entanto, a cobra biúta não é tão rápida, logo, ela precisa ficar parada e aguardar até que uma presa se aproxime para poder armar a emboscada. Em estudos prévios sobre rastros de espécimes dessa serpente, os pesquisadores constataram que quanto mais a cobra se move, maior é a chance de ela ser capturada pelos predadores. Portanto, mais que uma ajuda para a caça, os cientistas acreditam que a característica de ausência de cheiros serve para a proteção da espécie.

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