1. Espécie única

Alguns animais, como o ornitorrinco e o orictéropo, são famosos por serem espécies únicas, ou seja, que não possuem nenhum “parente” semelhante – e o tuatara é um desses bichinhos. Esse réptil é normalmente associado a lagartos, crocodilos e aves, mas não é relacionado com nenhum deles especificamente. Sua família remonta a 225 milhões de anos atrás, tornando-o uma espécie de “fóssil vivo”.

Apesar de se parecer com um lagarto, o tuatara tem muitas características das aves. Ele pertence à ordem Rhynchocephalia, ou “cabeça de bico”. Eles só existem na Nova Zelândia e são de grande interesse dos biólogos, que o protegem contra a extinção desde 1895.

O tuatara é uma espécie incrível, mas que está ameaçada de extinção

2. Entendendo os dinossauros

O tuatara é o animal menos evoluído entre os amniotas – grupo que inclui répteis, aves e mamíferos que põem ovos. Além disso, eles possuem coração, cérebro e locomoção semelhantes aos dos anfíbios, o que indica que estes são descendentes dos répteis. Por serem muito antigos, os cientistas os estudam para saber como os dinossauros se comportavam em sua era.

Seus hábitos podem nos ajudar a compreender os dinossauros

3. O ornitorrinco dos répteis

Já dissemos que este réptil tem características comuns com anfíbios e aves, mas, na verdade, ele é parecido com praticamente todos os animais, exceto com os mamíferos. Sua mandíbula superior em formato de bico e o crânio rígido se assemelham às tartarugas. Seu corpo tem formato de lagarto e sua boca tem fileiras duplas de dentes iguais aos de uma cobra. O tuatara seria o “elo perdido” entre os anfíbios aquáticos e os répteis terrestres – uma espécie em transição, por assim dizer.

Tantas peculiaridades os fazem ser comparados aos ornitorrincos

4. Surdo, porém não cego

Nesses 200 milhões de anos de evolução, os tuataras permanecem praticamente surdos. Eles possuem os ouvidos mais primitivos de todos os amniotes. Eles até têm cavidades auriculares, que são cobertas de gordura – o que permite que os tuataras escutem apenas alguns ruídos. Porém, apesar da primatividade do sentido auditivo, a visão desses animais é surpreendentemente bem desenvolvida, com foco independente, retina dupla e visão noturna.

Natureza não os ajudou a escutar direita, mas a visão é sensacional

5. Falta de pênis e terceiro olho

Outras características incomuns dos tuataras são: eles não possuem pênis, sendo a única espécie de réptil que não tem o membro, e produzem um ácido em sua cloaca, que os cientistas ainda não conseguiram entender para que serve.

Sua fileira de dentes duplos, na realidade, é uma formação óssea na mandíbula – algo bem incomum. Mas o mais diferente de tudo é que eles possuem um terceiro olho, com lente, retina e células hastes próprias, o qual se encontra entre os dois olhos “principais”, funcionando como um regulador do ciclo cardiciano do réptil – ao menos é nisso que os cientistas acreditam.

Terceiro olho, no meio da testa, é mais fácil de identificar quando os tuataras são filhotes

6. Sem apetite sexual

Apesar do nome sugestivo em português, os tuataras, na verdade, possuem bem poucas “taras”. Eles vivem em média até os 100 anos e atingem a maturidade sexual entre a primeira e a segunda década. Porém, as fêmeas só se reproduzem a cada 2 a 5 anos, o que tem contribuído para que os bichinhos sejam bem raros.

Outra característica para piorar isso tudo é que os tuataras vivem apenas na Nova Zelândia, o que gera reproduções entre animais aparentados – e, por isso, pode trazer uma série de problemas à espécie. Para complicar ainda mais, como na maioria dos répteis, o sexo dos filhotes nos ovos é determinado pela temperatura, e a alteração de apenas 1 grau centígrado é suficiente para fazer surgir apenas uma ninhada de machos.

Tuataras possuem poupo apetite sexual

7. Péssimos pais, mas ótimos colegas de quarto

Por viverem em um lugar tão remoto, a alimentação dos tuataras é escassa, o que os força a comer seus próprios filhotes em casos mais extremos! Felizmente, a natureza fez com que os adultos da espécie tenham hábitos noturnos, enquanto os filhotes sejam mais diurnos.

Apesar de péssimos pais, o tuataras são ótimos roommates. Eles compartilham tocas com aves marinhas e protegem os ninhos de seus “amigos” – principalmente porque eles atraem espécies que os tuataras gostam de comer. Raramente os tuataras se voltam contra seus colegas, mas podem, sim, comer seus “sobrinhos”.

Tuataras têm mais repeito com os filhos dos outros bichos

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