Se você é fã de filmes de ficção científica ambientados no espaço, então deve se lembrar de cenas de exploradores desventurados explodindo depois sofrer avarias em seus capacetes ou, ainda, deve ter torcido para que pilotos extremamente habilidosos escapassem ilesos de perseguições através de cinturões de asteroides, por exemplo.

Pois nem tudo o que filmes e séries retratam sobre o espaço é real, e existe uma porção de coisas nas quais muita gente acredita, mas que não passam de equívocos. Pois Radu Alexander, do site IFLS, reuniu alguns desses mitos em um interessante artigo, e nós aqui do Mega Curioso selecionamos cinco deles para você conferir:

1 – A Terra e Vênus são iguais

Apesar de Vênus ser conhecido por alguns como irmão gêmeo da Terra — graças à semelhança em composição, tamanho e órbita que existe entre os dois —, a verdade é que as similaridades desse planeta com respeito ao nosso acabam por aí. Aliás, essa fama de “gêmeo” surgiu na época em que, por conta da falta de tecnologia, ainda não se sabia o que existia sob a espessa atmosfera venusiana.

Devido à falta de inclinação em seu eixo, Vênus não apresenta estações climáticas, e sua pressão atmosférica é mais de 90 vezes superior à da Terra. Sua superfície, além de ser extremamente seca, conta com mais de 1,6 mil vulcões conhecidos — sem contar os muitos mais que provavelmente existem por lá, mas não podem ser vistos. Ainda sobre a superfície, ela fica escondida sob uma opaca camada de nuvens compostas pelo fedorento ácido sulfúrico.

Para piorar, a atmosfera de Vênus é superdensa e constituída quase completamente por dióxido de carbono, que, por sua vez, evita que o calor escape da superfície, provocando um efeito estufa extremo no planeta. Todas essas características acabam contribuindo para que Vênus seja o planeta mais quente do sistema solar — com temperaturas de cerca de 470 °C, altas o suficiente para derreter chumbo —, bem diferente da Terra.

2 – A Terra fica mais próxima do Sol durante o verão

Embora pareça fazer sentido que algo se torne mais aquecido quanto mais próximo ele se encontre da fonte de calor, as estações do ano aqui na Terra não ocorrem devido à sua proximidade ao Sol. Na verdade, elas existem graças à inclinação do nosso planeta sobre seu eixo orbital, e o verão acontece quando determinado hemisfério fica apontado para a nossa estrela — o que significa que o inverno acontece para o outro hemisfério.

Entretanto, vale destacar que o fato de algumas vezes a Terra se encontrar mais próxima ou mais distante do Sol não é um mito. Isso ocorre por conta de sua órbita elíptica, e durante o decorrer de um ano inteiro essa distância pode variar em até 5 milhões de quilômetros.

3 – Os seres humanos explodem quando expostos ao espaço

Vai dizer que você nunca assistiu a um filme de ficção científica no qual um astronauta azarado acaba ficando exposto aos rigores do espaço e começa a inchar e inchar até explodir em milhares de pedacinhos. Pois, apesar de não haver dúvidas de que os seres humanos são incapazes de sobreviver vagando pelo universo, a cena — ainda que dolorosa e pouco agradável — não é tão dramática e sanguinolenta como Hollywood nos faz acreditar.

Segundo o pessoal da NASA, a morte não ocorre imediatamente, e os seres humanos seriam capazes de suportar a exposição ao vácuo por cerca de meio minuto sem sofrer danos permanentes. Depois disso, o mais provável é que o falecimento ocorra por conta da asfixia devido à falta de oxigênio no espaço. Aliás, de acordo com Radu Alexander, um filme que retrata a morte no espaço de maneira relativamente realista é o “2001: Uma Odisseia no Espaço”.

4 – Seria arriscadíssimo viajar pelo cinturão de asteroides

Outra cena que você deve ter visto mais de uma vez nos filmes é a de naves sendo bombardeadas por rochas espaciais enquanto comandantes suicidas resolvem atravessar os mortais cinturões de asteroides.

Acontece que o universo é muito — muito — grande, e, embora os cinturões de asteroides contem com milhões e milhões de astros, o passeio por uma dessas regiões seria bem tranquilo, com uma rochinha aqui e outra rochona ali. Desta forma, um piloto teria que ser extremamente azarado ou pouco habilidoso para trombar contra alguma coisa durante a travessia.

No cinturão de asteroides que existe no sistema solar, por exemplo, o maior objeto que existe por lá é o planeta-anão Ceres, com seus 950 quilômetros de diâmetro, e a distância entre dois objetos varia entre centenas e milhares de quilômetros um do outro. Aliás, mais de 10 sondas espaciais já viajaram através do cinturão sem qualquer incidente, e a probabilidade de que uma nave se choque com alguma coisa é de 1 em 1.000.000.000!

5 – O Sol é amarelo — e está em chamas

Apesar de o Sol ser visível aqui na Terra com uma coloração amarelada, a verdade é que se não fosse pela ação da atmosfera do nosso planeta, veríamos o nosso Astro Rei na cor branca. Se você não acredita, então pergunte a qualquer pessoa que tenha estado no espaço!

Aliás, não é necessário ir até o espaço ou ter a sorte de conhecer um astronauta para descobrir qual é a cor verdadeira das estrelas. Basta saber qual é a temperatura desses astros para deduzir suas tonalidades. Assim, as estrelas mais frias são em tons de marrom ou vermelho mais escuros, enquanto as que são um pouco mais quentes — com temperaturas em suas fotosferas abaixo de 1 mil graus Célsius — apresentam um tom vermelho mais intenso.

Já as estrelas mais quentes — com temperaturas superiores aos 9,5 mil graus Célsius em suas fotosferas — apresentam coloração puxando para o azul. Portanto, o nosso Sol, que possui uma temperatura superficial de aproximadamente 5,7 mil graus, ou seja, em um meio termo, possui cor branca.

E já que estamos falando sobre o Sol, assim como ele não é amarelo, ele também não é uma bola de fogo gigantesca esquentando o sistema solar. Nossa estrela está, na verdade, brilhando, e não em chamas, e o calor gerado pelo Sol é resultado de reações termonucleares — e não químicas, como seria o caso do fogo.