Os buracos negros, conforme já explicamos em uma matéria aqui do Mega Curioso — e que você pode acessar através deste link —, são regiões do espaço incrivelmente densas e enormes nas quais a força gravitacional é tão extrema que nada, nem mesmo a luz, pode escapar de sua atração.

Essa característica torna os buracos negros quase “invisíveis” e, para detectar a sua presença, os astrônomos se baseiam na forma como a sua gravidade afeta as estrelas, astros e matéria no espaço. Além disso, ainda existe a teoria dos gases, que sugere que quando um grande volume de gás é sugado por uma dessas regiões, ocorre uma transformação de energias — gravitacional potencial e cinética.

Assim, ao espiralar para o interior do buraco, a energia cinética é transformada em energia térmica, devido ao aquecimento — que pode chegar a até um bilhão de graus centígrados — provocado pelo atrito da matéria. Com isso, um jato de plasma viajando quase à velocidade da luz acaba por escapar perto da extremidade do buraco negro.

Teoria confirmada

De acordo com Chris Wood, do portal Gizmag, um time formado por pesquisadores de várias partes do mundo conquistou dois feitos notáveis: os cientistas não só acompanharam um buraco negro engolir uma estrela — do início ao fim — pela primeira vez, como confirmaram que a teoria dos gases está correta.

Segundo Chris, o evento começou a ser observado em dezembro do ano passado, depois que pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA, detectaram a iminente destruição da estrela enquanto faziam uso de um telescópio óptico no Havaí.

Então, um time da Universidade de Oxford, na Inglaterra, também apontou um equipamento para o local — um radiotelescópio — e, em conjunto, as equipes conseguiram reunir dados que permitiram que o desenrolar do acontecimento fosse estudado detalhadamente.

Morte anunciada

Os cientistas focaram sua atenção em um buraco negro supermassivo localizado a cerca de 300 milhões de anos-luz da Terra e cuja massa é aproximadamente um milhão de vezes superior à do nosso Sol. E o evento ofereceu aos pesquisadores uma oportunidade única — e muito rara — de observar uma estrela ser engolida por uma dessas regiões do espaço, bem como de testar a teoria dos gases.

Ilustração criada com base no evento observado pelos cientistas

Conforme disse Chris, os astrônomos constataram que a crescente emissão de luz que eles detectaram escapando do interior do buraco negro era proveniente de uma estrela que ele havia acabado de engolir, e não de um disco de acreção — ou seja, da massa produzida quando um buraco negro “devora” um astro ou matéria — presente no local antes do evento que eles testemunharam.

Com isso, os pesquisadores conseguiram confirmar que o previsto pela teoria dos gases acontece no Universo. Além disso, os cientistas revelaram que ainda se sabe muito pouco a respeito da destruição de estrelas por buracos negros, e que esses eventos são mais complicados do que se pensava.

Suas observações apontaram que o material estelar resultante pode se reorganizar rapidamente formando jatos, por exemplo, e os dados coletados permitirão que os astrônomos consigam desenvolver uma teoria mais concisa sobre como esses eventos ocorrem no cosmos.

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