A natureza é realmente surpreendente: quando o ser humano acha que criou algo nunca visto antes, encontramos algo que corresponde quase que de forma idêntica em animais e outras estruturas orgânicas. Um exemplo disso é a engrenagem, que se pensava que era uma criação exclusivamente humana.

A questão é que, analisando uma espécie jovem de gafanhotos da espécie Issus que são comumente encontrados em jardins na Europa, cientistas descobriram que o inseto conta com um mecanismo de engrenagem biológico nas juntas das patas, que ajudam a sincronizá-las quando o animal pula.

Uma combinação de análise anatômica com imagens feitas em baixa velocidade do movimento do gafanhoto, os pesquisadores da Universidade de Cambridge, liderados por Malcolm Burrows e Gregory Sutton, conseguiram verificar o funcionamento das engrenagens naturais pela primeira vez.

Os "dentes" se intercalam exatamente como acontece em engrenagens de um câmbio de um automóvel, e garantem que as pernas estejam completamente sincronizadas quando se movimentam. A diferença de tempo no movimento entre os membros interligados é de apenas 30 microssegundos.

"Essa sincronia precisa seria impossível se dependesse apenas do sistema nervoso, já que impulsos neurais levariam muito tempo para a imensa coordenação motora necessária", explica o professor Malcom Burrows, professor do departamento de zoologia de Cambridge.

"Ao desenvolver essas engrenagens mecânicas, o inseto consegue apenas mandar sinais nervosos aos músculos para produzir basicamente a mesma quantidade de força – então, se uma perna começa a se movimentar para o salto, a engrenagem passa a funcionar e cria uma sincronia absoluta".

A parte curiosa é que as engrenagens biológicas só são encontradas na fase jovem do inseto, e se perdem na transição para a fase adulta – mas ainda não se sabe o motivo para essa perda.