Quem nunca sofreu tremendamente ao perder seu bichinho de estimação? Eu mesma, esta redatora que vos escreve, ainda choro pela falta da minha cachorrinha, que faleceu há um par de meses. Pois, de acordo com Ramiro Barreiro, do portal El País, uma família de Buenos Aires, na Argentina, passou por essa mesma experiência dolorosa e decidiu pagar uma companhia especializada em clonagens a fim de trazer Antony, seu cão, de volta à vida.

Essa é a Lina, minha cachorrinha que morreu :(

Segundo Ramiro, o bichinho morreu de velho no início do ano, e a família — que preferiu não ser identificada —, que não conseguiu se conformar com a perda de Antony, decidiu contatar a companhia argentina BIOCAN, a única representante na América Latina do laboratório Sooam Biotech Reserach Foundation, sediado na Coreia do Sul, que seria responsável por realizar cerca de mil clonagens.

Revertendo a perda

Conforme contou Ramiro, o procedimento de clonagem como o encomendado pela família argentina custa entre US$ 60 mil e US$ 100 mil (entre R$ 202 mil e R$ 337 mil, aproximadamente) e se chama transferência nuclear de células somáticas. A técnica consiste, basicamente, em extrair o núcleo de uma célula somática e, depois, transferi-lo a um óvulo cujo material genético já foi removido anteriormente.

Antony, o cão que pertencia à família argentina

No caso de Antony, os especialistas colheram a célula a partir do tecido epitelial do animal, e o embrião obtido foi implantado em uma cachorra que gestou o clone normalmente. Mais precisamente, primeiro um veterinário extraiu as células da pele do cachorro e levou esse material até o laboratório da Faculdade de Agronomia de Buenos Aires para que, lá, fosse realizada a reprodução celular.

Depois de ter as células formadas, elas foram colocadas em tubos com nitrogênio líquido e enviadas à Coreia do Sul. Uma vez lá, os especialistas do laboratório coreano selecionaram as melhores e deram início ao processo de clonagem. Segundo Ramiro, no total, foram obtidas 24 amostras, das quais 18 foram encaminhadas ao Sooam Biotech Research Foundation. As seis restantes foram armazenadas em um banco de células, caso ocorresse algum imprevisto.

O procedimento completo leva quase um ano inteiro para ser concluído, e o animal clonado é entregue às famílias em qualquer parte do mundo. Aliás, o bichinho viaja em voos especiais e, quando necessário, inclusive pode ser colocado em caixas de transporte pressurizadas. Depois de a “cópia” de Antony ser finalizada com sucesso, a companhia argentina recebeu alguns pedidos novos e espera que o alto custo seja reduzido no futuro.

Nova solução?

Conforme explicou Ramiro, mais de mil cães já foram clonados pelo mundo, e o procedimento está virando moda em países como China, Rússia, Austrália, Canadá, Estados Unidos, Índia e Japão. Agora, parece que a opção está chegando pelas nossas bandas, e restam poucas dúvidas de que ela virará moda por aqui também.

Segundo os responsáveis pelo procedimento, o que eles fazem é criar um gêmeo idêntico ao cão anterior

Segundo Daniel Jacoby, diretor da representante do Sooam Biotech Research Foundation na Argentina, a clonagem não está prejudicando ninguém, e os especialistas não estão “revivendo” nada. De acordo com ele, os cães são os animais mais humanizados do planeta, tanto que convivem conosco e, em muitos casos, dormem em nossas camas, viajam junto nas férias e são considerados como membros da família.

O que os especialistas fazem, na verdade, é criar um gêmeo idêntico ao cãozinho anterior, com as mesmas características físicas. Quem se encarrega da parte referente à conduta do animal é a própria família que solicitou o procedimento.

A Sooam Biotech Research Foundation foi fundada pelo coreano Hwang Woo-Suk — cientista que se envolveu em um baita escândalo há alguns anos. Em 2005, foi divulgada a informação de que ele teria clonado embriões humanos e Woo-Suk chegou a ser condenado a 2 anos de prisão. Entretanto, o comitê responsável por investigar o caso concluiu que o pesquisador havia clonado seu primeiro cão — e a pena foi suspensa.