Dizem que quem vê cara, não vê coração; que um livro não pode ser julgado pela capa, e, claro, que as aparências enganam. Ainda assim, e apesar de todas as verdades que possam fazer parte dos ditados mais populares, a verdade é que as pessoas continuam julgando umas às outras com base naquilo que enxergam, e isso vale especialmente quando estamos falando de pessoas consideradas mais inteligentes.

Um novo estudo, divulgado pelo The Global Source for Science News, revelou que pessoas inteligentes são mais propensas a estereotipar outras pessoas, julgando-as com base em suas aparências com mais facilidade.

David Lick, autor da pesquisa, disse, em declaração publicada no Reader’s Digest, que pessoas mais inteligentes do que a média geralmente são associadas a resultados positivos em termos acadêmicos ou sociais, mas que seu trabalho revela que algumas habilidades cognitivas podem ter efeitos negativos, especialmente no que diz respeito à aplicação de estereótipos sociais.

Testes

Para chegar a essa conclusão, a equipe de Lick avaliou 1.257 pessoas, que realizaram seis testes online. Esses testes incluíam a análise de uma série de rostos masculinos, fazendo descrições sobre seus comportamentos. Os rostos, no entanto, foram editados para que certas características faciais, como um nariz mais largo, fossem associadas a algum estereótipo negativo.

Após as análises dos rostos, os voluntários participaram de um jogo que avaliava níveis de confiança – os participantes tinham que escolher uma quantidade de dinheiro para dar a um participante cujo avatar exibisse características semelhantes às que eles tinham acabado de ver. No final das contas, os participantes deram menos dinheiro para os avatares que tinham traços faciais associados a estereótipos negativos.

Jonathan Freeman, co-autor da pesquisa, explicou, no entanto, que essas pessoas mais inteligentes do que a média, embora sejam mais propensas a julgar os outros com base em estereótipos, conseguem mudar esses conceitos com mais facilidade, na medida em que tais estereótipos são desconstruídos.

Dá para mudar

Essa característica foi percebida ao final do estudo, ao analisarem estereótipos de gênero, como o de que homens são autoritários e mulheres são submissas. Após medirem seus preconceitos originais sobre essa temática, os participantes vira uma série de conceitos de gênero que não seguiam esse estereótipo.

Nesse momento, Lick explicou que as pessoas com melhores habilidades de detecção de padrões correm mais risco de se identificar e de aplicar esses estereótipos, mas que tendem também a mudar mais facilmente o que pensam sobre o tema, quando são confrontados.

Essa pesquisa, que ainda não é conclusiva, pode ser útil para outros estudos que busquem entender melhor as questões que envolvem estereótipos sociais e preconceito. De qualquer forma, é sempre bom saber e lembrar que é possível, sim, mudar a forma como se pensa.