Com tanta desgraça acontecendo pelo mundo, o que não faltam por aí são pessoas pedindo para que um asteroide nos acerte logo de uma vez! Pois é melhor tomar cuidado com o que desejamos... É com certa frequência que ficamos sabendo de rochas espaciais que passam perto do nosso planeta e, na maioria das vezes, a humanidade é avisada com antecedência (mesmo que pouca) da aproximação desses objetos celestes.

No entanto, vira e mexe acontece de asteroides passarem zunindo por nós sem que ninguém sequer detecte a sua aproximação — e um desses pedregulhos passou perigosamente perto da Terra no último sábado e os astrônomos só o identificaram horas antes de sua passagem! De acordo com Eric Mack, do site C|Net, o objeto foi identificado por astrônomos de um observatório no Arizona e, se ele estivesse em rota de colisão conosco, nenhuma agência espacial teria tido tempo hábil para tomar qualquer medida de prevenção.

Pedregulho espacial

O asteroide em questão passou de nós a uma distância equivalente à metade da distância média que existe entre a Terra e a Lua — o que, em termos astronômicos, é extremamente perto. A rocha espacial foi batizada de 2018 GE3 e, segundo estimaram os cientistas, ela está viajando pelo cosmos a 160 mil quilômetros por hora e possui entre 50 e 110 metros de diâmetro. Veja um videozinho compartilhado no Twitter mostrando o pedregulho:

Você já ouviu falar de um incidente que ficou conhecido como “Evento Tunguska”? Ele aconteceu em junho de 1908 e envolveu um meteoro que se desintegrou na atmosfera sobre Tunguska, na Sibéria, resultando em uma explosão equivalente à detonação de 10 a 15 milhões de toneladas de TNT, explosão essa que acabou devastando uma área de mais de 2 mil quilômetros quadrados de floresta. Os astrônomos calcularam que o 2018 GE3 teria 3,6 vezes o tamanho desse meteoro que explodiu sobre a Rússia, então, imagine só o estrago...

Se estivesse em rota de colisão contra o nosso planeta, o asteroide provavelmente se desintegraria na atmosfera, assim como aconteceu durante o Evento Tunguska, e dificilmente causaria danos em escala global. Contudo, se o 2018 GE3 trombasse conosco, o estrago regional seria considerável, especialmente se ele se explodisse sobre ou nas imediações de uma região densamente povoada.

Para você ter uma ideia, o meteoro que explodiu sobre Chelyabinsk — também na Rússia! — em 2013 e resultou em danos em milhares de casas e edifícios e deixou cerca de 1,2 mil feridos, era entre três e seis vezes menor do que o 2018 GE3. E como é que ninguém viu esse pedregulho até que ele estava perto demais de nós para que algo pudesse ser feito, caso o pior cenário se apresentasse?

Porque esses objetos tendem a ser escuros e pequenos demais para serem identificados quando se encontram viajando pelo Universo e, embora existam programas de detecção de asteroides em atividade, o da NASA, por exemplo, apenas foca em buscar rochas espaciais com pelo menos 140 metros de diâmetro. Parece que temos mais sorte que juízo, então, se você é da galera que anda desejando que um asteroide nos acerte, pense bem...

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