Você imaginava que uma aranha pudesse viver por mais de quatro décadas? Nós do Mega Curioso, não, e parece que os cientistas que anunciaram o falecimento da “Número 16” — aranha da espécie Gaius villosus que morreu na Austrália há alguns dias e era tida como a aranha mais velha do mundo (até onde de se tem notícia) com impressionantes 43 anos de vida.

Velhinha

E como é que os cientistas sabem a idade da aranha? O animal — que é de uma espécie conhecida pelo nome popular de “aranha-alçapão” — era integrante de um estudo de longo prazo iniciado pela pesquisadora Barbara York Main, em 1974. Foi nesse ano que a cientista identificou a Número 16 como sendo um animal jovem dentro de uma população específica e a aranha foi monitorada desde então.

Aranha enormeExemplar de Gaius villosus exposto em um museu (Wikimedia Commons/Toby Hudson)

Mas, se o estudo estava focado em uma “população” de aracnídeos, como é que os cientistas sabem que a Número 16 identificada em 1974 é a mesma que morreu agora? Então! Essas aranhas são fascinantes... Segundo descobriram os pesquisadores, assim que as Gaius villosus deixam os ninhos de suas mães, elas se espalham pelo solo e cavam suas tocas. No começo, suas “casinhas” são pequeninas, mas, conforme as aranhas vão crescendo, as tocas subterrâneas vão aumentando de tamanho também.

As Gaius villosus chegam à maturidade por volta dos 5 anos de idade — quando suas patinhas chegam a medir perto de 20 centímetros de envergadura — e o interessante é que as fêmeas jamais trocarão de toca. Os machos, sim, saem de suas covas em busca de aranhas para acasalar e, depois que cumprem com a missão (por assim dizer), eles morrem. Mas não as fêmeas.

Comportamento peculiar

Como dissemos, elas estabelecem residência fixa e vão fazendo reparos conforme necessário, mas nunca buscam uma toca nova. Tanto que, se a cova delas sofre algum dano mais sério e não pode ser reparado, elas morrem no local. Pois desde meados da década de 70 os cientistas tinham a casinha da Número 16 no radar e sempre davam uma olhadinha para ver se estava tudo bem. Tragicamente, no dia 31 de outubro de 2016, a aranha recebeu uma visita indesejada.

Aranha Gaius villosus Apesar da aparência assustadora, essas aranhas não oferecem perigo aos humanos (Gentside Découverte/Leanda Mason/Curtin University)

Naquele Halloween, os pesquisadores observaram que uma vespa parasítica tinha perfurado o topo da toca da Número 16 — e não foi para pedir “doces ou travessuras”. Esses insetos depositam suas larvas no corpo de um hospedeiro (no caso, a pobre aranha idosa) e, conforme elas vão se desenvolvendo, elas vão crescendo e devorando o coitado de dentro para fora. Bem sinistro...

Meses depois, quando os cientistas foram dar uma olhada na população de aranhas, eles notaram que a toca da Número 16 estava toda descuidada e mostrando claros sinais de abandono. Com isso, o time concluiu que a coitada tinha morrido.

Os pesquisadores que divulgaram a notícia se disseram devastados com o falecimento da Número 16, uma vez que eles torciam para que ela chegasse pelos menos aos 50 anos de idade! Aliás, mesmo morrendo aos 43, a velhinha superou as expectativas com sobra, uma vez que, até onde se pensava, as Gaius villosus viviam até os 20 anos, mais ou menos.

Não restam dúvidas de que a Número 16 era um fenômeno, mas, e com relação às demais aranhas, existem outros exemplos documentados de aracnídeos superlongevos? A resposta é sim! A recordista anterior foi uma tarântula no México que viveu até os 28 anos de idade, e os cientistas acreditam que as Hickmania troglodytes, nativas da Tasmânia, podem chegar perto dos 40. E você, caro leitor, sabia que esses animais podiam viver tanto?

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