Imagine um astro gigantesco — milhares de vezes maior do que a Terra — zunindo pelo Universo a velocidades absurdas. Melhor: imagine 13 desses astros. Só que, em vez de estarem viajando de forma errante pelo cosmos, eles estão se deslocando em direção à nossa galáxia. Pois é, caro leitor, segundo Brandon Specktor, do site Live Science, foi esse cenário que um time de cientistas da Universidade de Leiden, na Holanda, apresentou recentemente em um estudo.

Ligeirinhas

De acordo com Brandon, os astrônomos identificaram 13 estrelas hiper-rápidas, astros que, como você deve ter deduzido, se deslocam incrivelmente rápido pelo Universo. Aliás, tão rápido que, em vez de criarem vínculos gravitacionais com outros astros, formarem sistemas planetários e orbitarem o centro de uma galáxia — tal como ocorre com o nosso Sol e outros bilhões de estrelas que existem por aí —, eles simplesmente seguem em suas viagens.

Via LácteaOlha as invasoras aí! (Agência Espacial Europeia)

Mas voltando às 13 estrelas recém-identificadas, segundo concluíram os astrônomos, suas trajetórias indicam que elas não fazem parte da “população nativa” da Via Láctea e, portanto, parecem ser astros oriundos de outras galáxias — que estão “invadindo” a nossa ou passando através dela.

As invasoras foram descobertas enquanto os cientistas conferiam dados obtidos a partir da sonda espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia, sobre a velocidade e posicionamento de vários milhões de estrelas que existem na Via Láctea. Mais especificamente, os astrônomos estavam de olho nas mais rápidas — e foi aí que eles se depararam com as “ditas cujas”.

Invasões e fugas

Na verdade, os pesquisadores identificaram um total de 20 novas estrelas hiper-rápidas, mas determinaram que, dessas, 7 parecem ser astros aqui da nossa galáxia mesmo, mas que, por conta de sua grande velocidade, estão “fugindo” da Via Láctea. As outras 13 apresentam trajetórias que sugerem que elas são originárias de outro lugar — possivelmente da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia-anã que orbita ao redor da nossa.

E como é que essas estrelas foram sair de lá e se debandar para cá — ou quase isso? De acordo com Brandon, uma teoria é a de que esses astros possivelmente faziam parte de um sistema binário, isto é, um composto por 2 estrelas, e se tornaram “viúvos”.

Estrelas fujonasEstrelas fujonas (Agência Espacial Europeia)

Os astrônomos pensam que, quando um dos corpos celestes da dupla “morre”, seja porque ele é engolido por um buraco negro ou porque chegou ao fim de sua vida e explodiu em uma supernova, a interferência gravitacional resultante desses processos poderia “empurrar” o outro objeto de sua órbita habitual com uma força imensa — colocando-o em curso pelo cosmos até que o astro encontre um novo lar ou mergulhe através de galáxias.

Um dado interessante é que, embora apenas um pequeno número de estrelas hiper-rápidas tenha sido identificado até hoje, os modelos sugerem existem pelo menos 10 mil delas zanzando só aqui pela Via Láctea. Outra informação bacana é que o estudo aponta que rola intercâmbio de astros entre galáxias — e essa troca de endereços pode ajudar os cientistas a conhecerem melhor a nossa vizinhança cósmica. Ah, e se você ficou preocupado com essa coisa de invasão estelar e com o risco de uma possível colisão, não fique! Não existem indícios de que qualquer desses astros esteja viajando em nossa direção.

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