Muitas transformações ocorreram desde que seres humanos começaram a se comunicar através da fala. Passamos de frases simples para textos longos e complexos, atualmente registrados através de arquivos físicos ou digitais.

Hoje, escrever uma mensagem com uma caneta é algo simples; porém, quando a base para a escrita era um bloco de argila, o texto precisava ser realmente útil. Felizmente, o uso dessa técnica fez com que os registros durassem até hoje, mas nem sempre as informações são tão fáceis de se extrair. Por conta da escassez de fontes, algumas inscrições ainda são mistérios — esse disco de 4 mil anos de idade é um deles.

Cultura minoica

Os minoicos viveram na ilha de Creta por aproximadamente 600 anos, entre 2000 e 1400 a.C., e sua cultura influenciou bastante os gregos. O Palácio de Knossos foi o monumento que conseguiu sobreviver ao tempo, pelo menos em parte, então arqueólogos podem analisar sua arquitetura e pinturas.

Com base nesse material, eles identificaram o povo como a primeira civilização a criar arte apenas com cenas naturais, sem representação de figuras humanas. Outro ponto importante foi a própria técnica de construção do palácio, que se mostrou muito desenvolvida, em comparação ao que era comum na época.

As fontes escassas de informação sobre o idioma minoico tornam sua análise algo complicado, mas é certa a influência que tiveram no desenvolvimento da escrita grega. As placas de argila encontradas com textos produzidos por eles mostram algo semelhante a hieróglifos egípcios, divididos em dois estilos de escrita.

Disco misterioso

Junto com tantas informações que demonstram o grau de avanço cultural dos minoicos, foi encontrado também um disco no palácio de festo, que permanece como um mistério até hoje. O objeto de 16 centímetros de diâmetro está coberto por símbolos em ambos os lados, em um total de 241 inscrições, de 45 tipos.

A precisão de formatos mostra que as marcas não foram feitas a mão, mas sim por meio de algo semelhante a um carimbo, o que garantiu a uniformidade entre os símbolos. Os arqueólogos não conseguiram decifrar o conteúdo utilizando os estilos de escrita já conhecidos, mas os padrões de impressão e sequência não deixam dúvidas de que existe uma mensagem no objeto.

Como não são poucas as pessoas que gostam de um bom desafio, já foram realizadas diversas tentativas de desvendar o mistério. A proposta de tradução mais recente foi feita pelo linguista Gareth Owens e seu colaborador John Coleman, que chegaram à conclusão de que o disco possui inscrições religiosas celebrando uma deusa mãe minoica.

Embora os 45 símbolos não forneçam material suficiente para que a escrita seja considerada uma língua específica, os pesquisadores conseguiram associar as informações ao idioma já conhecido e, assim, identificar alguns trechos em que está escrito “mãe grávida”, “mãe brilhante” e “deusa”.

Enquanto isso, por mais que a dupla tenha encontrado uma possível tradução, a professora de linguística e arqueóloga Elizabeth Barber afirma que a quantidade de símbolos do disco não fornece base estatística suficiente para que qualquer um alegue ter decifrado a mensagem. Ao mesmo tempo, também é impossível apontar que a tradução feita por eles está incorreta.

A complexidade das civilizações que nos sucederam é algo que impressiona. Apesar de toda a tecnologia que possuímos, algumas questões ainda se mantêm indefinidas e muito provavelmente continuarão assim. Tudo indica, porém, que as próximas gerações não sofrerão esse problema, pois os dados estarão armazenados e catalogados para consultas futuras.

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