Entre as muitas espécies de animais cujos números se encontram em declínio em decorrência de atividades humanas – como a caça, a destruição do meio ambiente e a perda de habitat por conta do crescimento populacional – estão os chimpanzés. No entanto, um estudo recente revelou que, além da grande redução em indivíduos, essas criaturas também estão perdendo a sua cultura por conta de nossas ações, o que é simplesmente terrível.

Isso porque os chimpanzés apresentam uma série de comportamentos que são específicos de cada grupo e que são transmitidos de uma geração a outra pelos animais mais experientes aos mais jovens, garantindo a sobrevivência das populações – como, por exemplo, estratégias de comunicação entre os indivíduos, técnicas para a coleta insetos e outros alimentos e para a fabricação de ferramentas para obtenção de comida.

Contudo, o estudo – conduzido por cientistas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha – revelou que os chimpanzés que habitam próximo a regiões ocupadas por humanos apresentam uma diversidade dramaticamente mais baixa desses comportamentos, o que pode ter consequências bastante sérias.

Interferência

Não é de hoje que os pesquisadores suspeitavam que as atividades humanas, além de causarem a redução das populações, afetam a capacidade de sobrevivência dos primatas, uma vez que a diminuição de indivíduos significa que existem menos animais capazes de ensinar uns aos outros os comportamentos necessários para sua existência.

(Reprodução / IFLScience! / Patrick)

Mas o estudo parece confirmar esse palpite. Os pesquisadores do instituto catalogaram o comportamento – observado ao longo de 10 anos – de 114 populações de chimpanzés espalhadas em 46 locais diferentes em 15 países, descobrindo 31 ações específicas classificadas como sendo “culturais”.

Entretanto, ao analisar os dados detalhadamente, os cientistas constataram que quanto maior a proximidade com humanos, menor é a diversidade de comportamentos dos primatas, com populações mostrando até 88% menos ações do que grupos que vivem sob menor influência humana. Pode ser que os animais estejam evitando determinadas ações na tentativa de prevenir encontros com pessoas ou de não atrair a atenção de caçadores, e o problema é gerações mais jovens estão sendo privadas de aprender hábitos essenciais.

Pode ainda que a influência humana esteja forçando os primatas a desenvolverem novas habilidades para que eles possam resistir à presença do homem, mas mais estudos são necessários para provar essa hipótese. Seja como for, os cientistas propõem que, além de os esforços de conservação focarem apenas na variedade genética e de espécies, as diversidades culturais sejam incluídas na luta pela preservação dos animais, visto que elas são fundamentais para a sua sobrevivência.