Já faz tempo que se fala em trazer de volta à vida animais que foram extintos há milhares de anos – entre eles os mamutes, antigos “primos” dos elefantes que desapareceram da face da Terra por volta de 10 mil anos atrás. Diversos exemplares mumificados dessas criaturas foram encontrados ao longo dos anos, e foi a descoberta de alguns deles com tecidos ainda em relativo bom estado de preservação que abriu a possibilidade aos cientistas.

(Reprodução / Smithsonian.com / Academia de Ciências de Yakutia)

Um desses mamutes com tecidos aparentemente viáveis foi Yuka, um filhote descoberto há alguns anos na Sibéria, após permanecer nada menos que 28 mil anos congelado em permafrost – um tipo de solo que deveria permanecer permanentemente congelado, mas que, devido à elevação das temperaturas globais, está derretendo (e revelando artefatos e organismos que se encontravam nesse imenso freezer natural há milênios).

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Pois bem! Uma equipe de pesquisadores da Universidade Kindai, no Japão, anunciou que conseguiu “ressuscitar” partes de células de Yuka, o que representa um grande passo no sentido de reviver os mamutes. De acordo com Peter Dockrill, do site Science Alert, os cientistas coletaram células do filhote e implantaram os núcleos em ovócitos de ratinhos, processo durante o qual o time detectou atividade biológica.

Segundo Peter, os pesquisadores obtiveram células a partir da medula óssea e do tecido muscular de Yuka, somando perto de 275 mg de material. A partir daí, os cientistas selecionaram os núcleos menos danificados, obtendo 88 no total, e inseriram essas estruturas em células germinativas dos roedores.

(Reprodução / Russia Beyond / RG / Sergei Mikheev)

Nem todos os ovócitos “editados” mostraram qualquer resposta ao procedimento, mas um número deles apresentou o tipo de atividade que precede a divisão celular, o que é espantoso, considerando quanto tempo Yuka leva morto. É importante destacar que, embora a descoberta de que o núcleo – ainda que parcialmente – pode ser trazido de volta a “vida” seja um enorme passo, ela não significa que os mamutes estão prestes a ser ressuscitados, não.

Os cientistas explicaram que ainda é necessário desenvolver novas tecnologias para conseguir trazer animais extintos de volta à vida. Mas, enquanto trabalham nisso, os pesquisadores pretendem obter núcleos em melhores condições para prosseguir com os experimentos para, assim, tentar avançar para a fase de divisão celular e despertar outras atividades que acontecem no núcleo das células, como a transcrição e a replicação do DNA. E aí, caro leitor, será que algum dia vamos mesmo ver mamutes e outras criaturas perambulando por aí?