Você já deve ter ouvido que a Lua está se afastando da Terra pouco a pouco – mais especificamente, o satélite está se distanciando de nós a uma taxa de 4 centímetros ao ano. E agora, foi divulgado que a fiel companheira do nosso planeta também está encolhendo! Por sorte, esse fenômeno também vem ocorrendo de forma bastante lenta (como o do afastamento) e prova que a Lua é mais ativa do que muita gente pensa.

“Luamotos”

Ao contrário do que possa parecer – afinal, não existem formas de vida na Lua e, com exceção de colisões de rochas espaciais e visitas de sondas e artefatos enviados pelos terráqueos, nada parece acontecer por lá –, a Lua é geologicamente ativa. Bem, de maneira relativamente discreta, mas há alguma atividade, sim.

Um dos sismógrafos deixados na Lua (Reprodução / The Conversation / NASA)

Nós sabemos disso porque algumas missões que viajaram até o satélite – as Apollo 12, 14, 15 e 16, mais precisamente – deixaram sismômetros instalados na superfície lunar para medir a atividade geológica. E esses dispositivos (cuja função é a de detectar tremores de terra) efetivamente captaram pequenos sismos vindos das entranhas da Lua. O interessante é que ninguém sabia dizer o que, exatamente, estaria causando os “luamotos”.

Pois um estudo recente, liderado por Thomas Watters, pesquisador do Centro para Estudos Planetários e da Terra do Centro Nacional de Ar e Espaço do Museu Smithsonian, em Washington, apontou que os tremores podem ser resultado da presença de falhas geológicas ativas na Lua – proposta que apoia algo que se suspeitava há muito tempo. Isso porque, além de astronautas terem identificado características no terreno lunar que indicavam a presença dessas estruturas, sondas espaciais enviadas para estudar o satélite também registraram imagens que sugerem fortemente a existência de falhas por lá.

Atividade lunar

Mais especificamente, os cientistas acreditam que a atividade que se dá na Lua é um tipo de falha conhecida como sendo “de cavalgamento”, que se caracteriza pela sobreposição de uma placa tectônica menos densa a outra de maior densidade. Esse fenômeno ocorre em decorrência do resfriamento do núcleo do satélite, que faz com que seu volume diminua e a superfície se comprima. Aliás, algo semelhante é observado em Mercúrio – cujo raio sofreu uma redução de 7 quilômetros nos últimos 3 milhões de anos.

Falha geológica (Reprodução / FayerWayer)

Para chegar a essa conclusão, Thomas e seu time reexaminaram os dados coletados pelos sismômetros instalados pelas missões Apollo – que, de 1969 a 1977, detectaram 28 sismos pouco profundos com intensidades que variaram entre 2 e 5 pontos na Escala de Richter. A equipe descobriu que dos 28 eventos, 8 ocorreram a cerca de 30 quilômetros dos locais identificados como possíveis falhas geológicas, sugerindo que essas estruturas continuam ativas.

Próximo aos locais das falhas, os pesquisadores também encontraram rastros deixados por rochas lunares que foram movidas de lugar – evidentemente não por aliens ou seres “lunáticos”, mas possivelmente por conta de tremores –, assim como vestígios de depósitos de sedimentos (possivelmente) causados por deslizamentos. Obviamente, a atividade geológica na Lua acontece em uma escala muito, muito menor do que em Mercúrio, mas o fato é que, ao que tudo indica, o fenômeno está provocando o lento encolhimento do satélite.

Rastros deixados por deslizamentos de rochas (Reprodução / The Conversation / NASA / GSFC /Arizona State University)

E qual a importância de saber disso – uma vez que nós, terráqueos, nem sequer vamos notar a diferença no tamanho da Lua? Segundo os cientistas envolvidos na pesquisa, considerando que existem vários projetos em andamento visando a instalação de uma base lunar e de explorar o satélite, é bom ter conhecimento de quais áreas podem oferecer instabilidades.