A descoberta de um fóssil de Spinosaurus aegypticus, ou espinossauro, em Kem Kem, no Marrocos, confirma que ele tinha a capacidade de nadar. Mesmo que tenhamos, no imaginário coletivo, dinossauros com seus longos pescoços para fora da água, ou caminhando pelas margens de rios e lagos, até agora era um consenso que eles eram animais que andavam e não nadavam.

Mas como foi apontado no último dia 29 por pesquisadores do jornal Nature, essa percepção foi por água abaixo com o espinossauro: com dentes afiados e sete metros de comprimento, ele caçava suas presas não apenas na beira de rios, lagos ou mares, mas sim nas profundezas das águas.

a(Fonte: Nature / Reprodução)

Características de nadadores

O espinossauro não é uma novidade para a ciência. Ele é um theropoda, ou seja, faz parte do grupo de dinossauros carnívoros que andava sobre duas patas – como o conhecido Tyrannosaurus rex. Também já era sabido, por conta de seu longo focinho e seus dentes em formato de cone, semelhantes aos dos crocodilos, que esse dinossauro comia peixes. Além disso, ele teria os pés achatados e as narinas na parte superior da cabeça, assim como ossos densos, que permitem a natação.

Porém, ainda havia o mistério sobre sua cauda: até o momento, o esqueleto mais completo de um Spinosaurus aegypticus não tinha as vértebras finais ou seu rabo, o que não permitia explicar como ele se movimentava na água.

Mas um novo fóssil, encontrado nos leitos de Kem Kem, no Marrocos, tem o equivalente a 80% da cauda desse theropoda. E ela não se parece em nada com as de outros membros do grupo: é alta e achatada, como uma nadadeira.

Cauda do fóssil de espinossauro encontrado no Marrocos. (Fonte: LiveScience/Diego Mattarelli)Cauda do fóssil de espinossauro encontrado no Marrocos. (Fonte: LiveScience/Diego Mattarelli)

Depois de construir um modelo plástico ligado a um controle remoto, os cientistas conseguiram comprovar que a cauda do espinossauro se comporta como a dos crocodilos, que podem nadar, ainda que também vivam na terra.

Essa era a última prova de que os pesquisadores precisavam para afirmar que, sim, os gigantes dinossauros também podem ter desbravado o mundo aquático.