Segundo o médico Alberto Zangrillo, diretor da ala de UTI do hospital San Raffaele, em Milão, o coronavírus pode estar enfraquecendo e perdendo seus principais efeitos de contaminação. A declaração, que reforça a tentativa de retomar as atividades diárias dos italianos e estimular a diminuição gradativa do isolamento, que já conta com relaxamento decretado, surgiu como uma grande polêmica no país, especialmente por vir de um dos especialistas mais conceituados do local, conhecido por cuidar do ex-primeiro-ministro, Silvio Berlusconi.

“Cerca de um mês atrás, ouvíamos epidemiologistas com medo de uma nova onda no fim de maio e início de junho, e quiçá quantos leitos de terapia intensiva poderiam ser ocupados. Na realidade, o vírus, do ponto de vista clínico, não existe mais”, declarou Zangrillo, em entrevista à italiana TV RAI. "Os exames realizados nos últimos dez dias mostram uma carga viral absolutamente infinitesimal em comparação com os que foram feitos há um, ou dois meses.”

(Fonte: Il Nuovo/Reprodução)(Fonte: Il Nuovo/Reprodução)

Acreditando que o vírus está perdendo sua potência de contágio e sintomas, o médico afirmou que está na hora de "parar de aterrorizar o país", recebendo amplo apoio do também renomado Matteo Bassetti, diretor da ala de doenças infecciosas do hospital San Martino, em Gênova, ao concordar que a covid-19 é diferente hoje e que "sua apresentação clínica é, de fato, muito mais leve."

Tais declarações dividiram grupos de especialistas italianos, quando autoridades contestaram as declarações de Bassetti e Zangrillo, acusando-as de "afirmações sem suporte científico" e "decisivamente perigosas em um momento de crise". Em anúncio, o presidente do Conselho Superior da Saúde e membro do Comitê Técnico-Científico, Franco Locatelli, comentou sobre um possível desestímulo ao lockdown, algo que vem sendo essencial para a manutenção do contágio e a diminuição dos casos.

Apesar da evidente queda no número diários de mortos pelo vírus, com o país já registrando um pico de mais de 900 novos casos em apenas 24 horas e, atualmente, mantendo-se em uma média de 300 a 400 aparecimentos diários, a Itália configura como a terceira maior taxa percentual de mortalidade, com 33.415 mortes desde o início do surto no território e mais de 233 mil infectados.