Há algum tempo postamos aqui no Mega Curioso uma matéria na qual falamos sobre as eternas guerras do ar-condicionado — que levam homens e mulheres a brigar feio por conta da temperatura do ambiente.

Você pode ler o artigo completo através deste link, mas, basicamente, vários fatores colaboram para que a mulherada morra de frio e a rapaziada derreta de calor, como as diferentes proporções corporais, a distribuição de músculos e gordura, questões pseudo-antropológicas, aspectos biológicos etc.

Entretanto, um estudo apresentado por pesquisadores — liderados por dois homens — da Universidade de Maastricht, nos Países Baixos, revelou que, em poucas palavras, os escritórios equipados com ar-condicionado foram projetados (sem querer) para que a mulherada se sinta fisicamente desconfortável enquanto congela no trabalho.

Probleminha

Segundo explicaram, o cálculo da temperatura ideal para os ambientes de trabalho se baseia em aspectos como a ocupação do local, a expectativa de como os empregados estarão vestidos e a eficiência do sistema de ar. Entretanto, o processo base usado para determinar qual temperatura é a mais confortável aparentemente apresenta um probleminha que resulta nas mulheres sentindo muito mais frio dos que os homens.

A maioria dos padrões estabelecidos para regular a temperatura dos edifícios se apoia em um modelo de conforto térmico desenvolvido na década de 60. Essa referência, por sua vez, leva em consideração o isolamento oferecido pelas roupas e o índice metabólico para estimar quais temperaturas fariam as pessoas se sentirem desconfortáveis. E é aqui que está o problema, pois o modelo está baseado no índice metabólico de repouso de um homem de meia idade e 70 quilos.

Acontece que o metabolismo varia de acordo com o sexo, tamanho corporal e idade das pessoas, e normalmente o índice metabólico de repouso das mulheres é mais baixo do que o dos homens. Isso significa que quando as moças estão sentadinhas às suas mesas trabalhando, seus corpos produzem menos calor do que os dos seus colegas do sexo masculino.

Batalha

De acordo com os pesquisadores holandeses, o modelo desenvolvidos nos anos 60 sobrestima a produção de calor corporal das mulheres em até 35%, e o pior é que o desajuste da temperatura acaba afetando todo o ambiente de trabalho.

O motivo disso é que os sistemas de ar-condicionado são calibrados — ou deveriam ser! — com base no calor gerado pelos trabalhadores, e muitos estão desconsiderando o fato de que atualmente o quadro de funcionários não é mais composto por uma maioria masculina. Portanto, reconfigurar os sistemas de ar-condicionado não só resultaria em um ambiente mais confortável para todos, mas em uma enorme economia de energia também.

Desequilíbrios

Retomando a questão sobre a força de trabalho não ser mais de maioria masculina, desde o desenvolvimento do modelo da temperatura, a participação feminina só vem aumentando. De acordo com levantamentos feitos nos EUA, as mulheres compunham 38% da força de trabalho em 1970, e em 2012, esse número havia subido para 47%. O problema é que muitos edifícios e escritórios não acompanharam as mudanças.

Além da questão do ar-condicionado, são pouquíssimos os locais de trabalho que oferecem espaços específicos para que as mulheres que estão amamentando possam esgotar o leite, por exemplo, algo que seria de fácil solução. Além disso, várias instituições — como as universidades — ainda oferecem mais banheiros masculinos do que femininos, embora em muitas delas o número de estudantes mulheres atualmente seja mais alto do que o de homens.

Sem falar, que nem sempre as mesas de trabalho estão ergonomicamente ajustadas para a mulherada, e quase dois terços dos casos de síndrome do túnel carpal e tendinite registrados nos EUA são observados em mulheres. Além disso, existe uma correlação entre o surgimento de problemas musculares e nos tendões e os ambientes gélidos — já que normalmente as pessoas contraem os músculos dos ombros e pescoço e ficam com as mãos paralisadas quando estão com frio.

*Publicado em 11/08/2015