O cérebro humano é extremamente complexo e, por mais bizarro que isso nos soe, ele é capaz de criar mecanismos que mais nos confundem do que ajudam. A Síndrome do Impostor – nós falamos brevemente sobre ela nesta publicação, que reúne cinco métodos que o cérebro humano usa para nos enganar a todo o tempo – é traiçoeira: basicamente, ela faz com que uma pessoa se sinta uma farsa.

Essa sensação não ocorre de maneira muito explícita, então a pessoa muitas vezes não consegue nem explicar o que sente. Responsável pela procrastinação de inúmeros projetos, a Síndrome do Impostor provoca uma espécie de bloqueio, que faz com que a pessoa sinta como se não pudesse realizar determinados feitos e, inclusive, ter sucesso.

Essa sensação, que muitas vezes chega a ser inconsciente, pode ser o que está impedindo você de finalmente escrever aquele livro, começar uma aula de piano, fazer um projeto de mestrado, planejar um intercâmbio, mudar de profissão. A Síndrome do Impostor o faz acreditar que nada disso é para “alguém como você”.

É quase uma baixa autoestima, mas com uma manifestação diferente e que geralmente afeta a percepção que temos do nosso intelecto. Conforme explicou Carl Richards em uma publicação no The New York Times: “Elas [as psicólogas Pauline Clance e Suzanne Imes] descreveram isso como uma sensação de fraude em pessoas que acreditam que não são inteligentes, capazes ou criativas, apesar das evidências de realizações elevadas. Enquanto essas pessoas são altamente motivadas a ter sucesso, elas também vivem com medo de serem descobertas ou expostas como fraudes”.

Angie Aker, do Up Worthy, diz “às vezes, só porque uma habilidade é natural, nós pensamos que ela não deve ter tanto valor. Então, quando tentamos passar essa habilidade como valiosa, pensamos que podemos estar enganando as pessoas”. Por isso, é importante ter em mente que, quando uma habilidade se manifesta de forma “fácil” – como acontece com quem consegue tocar um instrumento musical sem ao menos fazer aulas – não significa que essa habilidade não tenha valor. Jimi Hendrix que o diga.

Seres humanos são criaturas complexas e têm a necessidade de se encaixar em algum modelo de “normalidade”. Por isso, comparamos nossas habilidades e nossos traços de comportamento e de estrutura física com os de outras pessoas. O problema – e também a boa notícia – é que ninguém é igual a ninguém, e, quando duas coisas são diferentes, não há muito como compará-las.

Nesse sentido, precisamos treinar nossa mente a lembrar sempre que o que é fácil para uma pessoa – de novo, podemos usar o exemplo de tocar guitarra – pode ser extremamente difícil para outra. Justamente por isso, todas as habilidades deveriam ser reconhecidas como de grande valor. Se você acha que, de alguma maneira, tende a encarar o que faz como algo sem muito valor, mesmo que seja constantemente elogiado e reconhecido, siga os dois passos abaixo e mude isso:

1 – Sabe aquilo que você sabe fazer? Então... Faça!

Se você sabe escrever bem, comece a escrever aquele livro. Se você desenha, crie um portfólio bacana, divulgue seu talento. Se é ótimo com números, descubra algum tipo de projeto que combine com o seu talento. Se você fotografa como ninguém, crie uma exposição. Se você faz o melhor bolo de todos os tempos, comece a vender bolos. Se você tem boas ideias para trabalhos comunitários, coloque-as em prática. Ir da ideia para a ação é um passo extremamente importante.

2 – Traga sua habilidade para o mercado

“Mercado” é uma palavra que nos faz torcer o nariz, porque geralmente quem a pronuncia fora do contexto do supermercado possivelmente vai citar valores econômicos que mais nos confundem do que ajudam. De forma simplificada, vale dizer que é sempre bom descobrir se há como ter lucro a partir de um talento. Não sabe como? A internet está aí para isso.

Uma rápida busca com base no seu talento pode ser a solução para os seus problemas. Às vezes, você pode descobrir meios de criar seu próprio negócio, de participar de algum projeto bacana, de investir sem precisar muito dinheiro, de divulgar seu trabalho de forma independente.

Mostre às pessoas como elas podem se beneficiar do trabalho que você está oferecendo. Faça com que elas entendam que o seu produto é único e que tem algum bom diferencial. A partir daí, pode levar algum tempo, mas talvez você consiga transformar seu talento em dinheiro. Sem, é claro, sentir que isso faz de você uma fraude. Não há nada de errado em ter sucesso.

*Publicado em 16/12/15

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