Sabe aquela pessoa que não tem tanta vontade nem necessidade de interação social? Para ela, às vezes a melhor programação para uma sexta-feira à noite é ficar em casa mesmo lendo aquele livro novo ou se rendendo a alguma nova série na Netflix. Ainda que ela veja fotos da galera na balada, no boteco ou naquele churrasco na casa de alguém, o que a atrai mesmo é o conforto de seu próprio lar. Talvez você conheça uma pessoa assim; talvez você seja essa pessoa; e não há nada de errado com isso.

A verdade é que não apenas não há nada de errado com isso como, de acordo com um estudo publicado no British Journal of Psychology, essas pessoas menos sociáveis e mais solitárias costumam ser mais felizes e mais espertas também. A pesquisa concluiu que pessoas inteligentes e que vivem em ambientes urbanos precisam passar MENOS tempo na companhia dos amigos para ficarem felizes.

Como assim?

Na verdade, é bem legal ficar sozinho.

Esses resultados, que possivelmente deixam muita gente aqui de queixo caído, foram alcançados depois da análise de dados de 15 mil pessoas com idades entre os 18 e os 28 anos – esses dados incluíam informações a respeito do ambiente no qual vivem, sensação de bem-estar, Q.I e relacionamentos.

Após a análise e a comparação de dados, as descobertas: pessoas menos inteligentes ficam mais felizes quando têm mais e mais interações sociais com amigos próximos; por outro lado, pessoas mais inteligentes costumam estar mais satisfeitas com suas vidas e ficam mais felizes por passarem menos tempo com seus amigos mais próximos.

Respeite a pessoa que curte ficar na dela

Pesadelo para uns, sonho para outros =)

Uma das explicações para isso pode estar na evolução humana, como sempre. Da mesma forma que nossos antepassados se sentiam felizes em regiões rurais da África, nosso cérebro evoluiu de forma a funcionar melhor em um ambiente rural com menos pessoas. Assim, quando somos “obrigados” a viver em grandes ambientes urbanos entupidos de gente, tendemos a sentir necessidade de conviver em círculos sociais menores, pelo bem da nossa própria saúde mental.

A dra. Carol Graham, que pesquisa assuntos relacionados à felicidade, acredita que as pessoas altamente inteligentes – ou que são mais capazes de utilizar essa inteligência – tendem a interpretar eventos sociais como uma distração ociosa, sem importância, já que tendem a estar focados em outros objetivos. Como lidar com isso? Se você é uma dessas pessoas que curtem ficar sozinhas, seja feliz sem culpa. Se você tem um amigo assim, é só respeitá-lo. E todo mundo fica bem.

*Publicado em 01/04/2016