Quando falamos de antigas arenas romanas com capacidade para milhares de pessoas, o primeiro local no qual pensamos é, sem dúvida, o Coliseu, emblemático monumento da capital italiana. No entanto, essa enorme estrutura — que tinha capacidade máxima para um público de aproximadamente 55 mil espectadores — foi “inaugurada” apenas em 88 d.C. e, antes dela, existia uma arena muito, muito maior. Você sabia disso?

Esse local se chamava Circus Maximus — ou Circo Máximo — e foi uma das maiores estruturas da Roma Antiga. O espaço foi construído no século 6 a.C., ou seja, bem antes do que o Coliseu, a mando de Tarquínio Prisco, o governante de então. Mais tarde, lá pelo ano 50 a.C., Júlio César ordenou que a arena fosse estendida para que ela pudesse acomodar um maior número de pessoas. Para isso, até o curso de um riacho acabou sendo desviado, acredita?

Superarena

Com uma pista de 600 metros de comprimento e 225 metros de envergadura, a capacidade máxima de público do Circo Máximo era de 250 mil pessoas, embora existam registros de que ele chegou a ser ocupado por 385 mil! Só para que você tenha uma ideia, o Estádio do Maracanã — que já abrigou um público recorde de quase 200 mil pessoas —, depois de passar por reformas, tem capacidade para pouco mais de 73.500 espectadores.

O Circo Máximo era utilizado para a realização de corridas com bigas e dos Ludi Romani — ou Jogos Romanos —, que eram patrocinados pelos ricos e poderosos de Roma e tinham como objetivo honrar os deuses. Os Ludi eram eventos que incluíam todo tipo de entretenimento, como desfiles, cerimônias religiosas, peças teatrais, banquetes, demonstrações de gladiadores e celebração de triunfos, por exemplo, além das corridas que já mencionamos.

Inicialmente, os jogos ocorriam um ou duas vezes por ano. Entretanto, logo esses eventos se transformaram em uma demonstração de status para os poderosos que os patrocinavam, sem contar que se tornaram extremamente populares, e passaram a ocorrer em 57 dias do ano. Fazendo as contas, isso significa que esses eventos aconteciam praticamente mais de uma vez por semana, oferecendo diversão para todos e todos os gostos.

Uso e desuso

Em sua primeira versão, o Circo contava com uma plataforma de madeira elevada para acomodar os ricos e famosos de Roma. Mais tarde, foram adicionados bancos — também de madeira — para o resto da população e, por volta de 50 a.C., Júlio César ordenou que os assentos se estendessem ao longo de toda a pista. A estrutura provou ser muito susceptível a danos, e foi parcialmente destruída em incêndios e enchentes.

Depois de várias reformas, a madeira da estrutura foi substituída por pedras, mas, com o passar do tempo, os imperadores de Roma começaram a ser pressionados para construir arenas específicas para que eventos diferentes pudessem ocorrer ao mesmo tempo.

Assim, as corridas com as bigas ficaram concentradas no Circo Máximo, e com a construção do Coliseu — iniciada por volta de 72 d.C. —, as lutas de gladiadores e demonstrações com animais acabaram sendo transferidas para lá. Com isso, pouco a pouco, o Circo acabou caindo em desuso e, no século 6 d.C., ele foi aposentado de vez.

As pedras de sua estrutura foram sendo retiradas e reutilizadas para a construção de outros edifícios. Já a pista de corridas, com o passar do tempo, foi sendo encoberta, voltado a ressurgir depois de escavações iniciadas no século 19. Hoje em dia, essa superarena da antiguidade se transformou em um parque que ironicamente, assim como no passado, é utilizada para celebrações, concertos e grandes reuniões de gente em Roma.